Por que nem Amsterdã quer as casas de prostituição legalizadas


*Por Julie Bindel

Você se lembra da comédia brilhante com Harry Enfield e Paul Whitehouse em que ambos interpretavam policiais descontraídos em Amsterdã, que se gabavam por não ter mais que lidar com o crime de homicídio na Holanda, pois os holandeses haviam legalizado o homicídio? Não ria. Em 2000, o governo holandês decidiu facilitar ainda mais a vida de cafetões, traficantes e fregueses, legalizando o já enorme e altamente visível mercado da prostituição. A lógica da legalização era tão simples quanto enganosa: para tornar as coisas mais seguras para todos. Tornar esse um trabalho como outro qualquer. Uma vez que as mulheres fossem libertadas do submundo [através da legalização], os bandidos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas iriam automaticamente se afastar.

Doze anos depois, podemos ver os resultados deste experimento. Em vez de proporcionar uma maior proteção para as mulheres, a legalização simplesmente expandiu o mercado. Ao invés de limitar as casas de prostituição a uma parte discreta (e evitável) da cidade, a indústria do sexo se espalhou por toda parte de Amsterdã – inclusive na rua. Ao invés de terem adquirido direitos no “local de trabalho”, as prostitutas descobriram que os cafetões eram tão brutais quanto sempre foram. O sindicato financiado pelo governo e criado para protegê-las tem sido evitado pela grande maioria das prostitutas, que permanecem assustadas demais para reclamar.

Cafetões, sob a legalização, foram reclassificados como gestores e empresários. Os abusos sofridos pelas mulheres são agora chamados de “risco ocupacional”, da mesma forma que uma pedra que cai no pé de um pedreiro. O turismo sexual cresceu mais rápido, em Amsterdã, do que o turismo regular: como a cidade se tornou o local de prostituição da Europa, mulheres são importadas por traficantes da África, Europa do Leste e Ásia, de modo a suprir a demanda. Em outras palavras, os cafetões permaneceram, mas tornaram-se legítimos – a violência ainda é prevalecente, mas se tornou mera parte do trabalho e o tráfico aumentou. Suporte para que as mulheres deixem a prostituição é quase inexistente. A obscuridade inata do trabalho não foi desmanchada pela benção legal.

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Mulheres engaioladas, expostas à curiosidade pública, como se fossem bichos em lojas de animais

O governo holandês esperava jogar o papel de cafetão honorável, ao tomar sua parte no lucro da prostituição, através da taxação. Porém somente 5% das mulheres são registradas para essa taxa, pois ninguém quer ser conhecida como uma prostituta – por mais legal que seja. A ilegalidade simplesmente tomou uma nova forma, com o aumento do tráfico, das casas de prostituição não licenciadas e da cafetinagem. Com o policiamento completamente fora de cena, foi fácil quebrar as leis que permaneceram. Agenciar mulheres dos países não pertencentes à União Européia, desesperadas por uma nova vida, continua sendo ilegal. Mas nunca foi tão fácil.

A legalização impôs casas de prostituição em áreas por toda a Holanda, independente de quererem ou não. Mesmo que uma cidade ou vila se oponha ao estabelecimento de bordéis, ela deve permitir a instalação de pelo menos um – caso contrário, estaria contrariando o direito básico federal de trabalhar. Para muitos holandeses, legalidade e decência foram irremediavelmente divorciados. Isso tem sido um fracasso social, jurídico e econômico – e a loucura, finalmente, está chegando ao fim.

O “boom” das casas de prostituição terminou. Um terço das casas de prostituição de Amsterdã foi fechado devido ao envolvimento do crime organizado e de traficantes de drogas, e do crescimento do tráfico de mulheres. A polícia agora reconhece que o bairro da luz vermelha se transformou em um centro global para o tráfico de pessoas e lavagem de dinheiro. As ruas foram infiltradas por gangues aliciadoras em busca de meninas jovens e vulneráveis, para serem vendidas a homens como virgens que farão tudo o que lhes for pedido. Muitos dos envolvidos no comércio turístico regular de Amsterdã- os museus e canais – temem que seus visitantes estejam desaparecendo junto com a reputação da cidade.

Eu estive lá com Roger Matthews, um professor de Criminologia na Universidade de Kent, e renomado especialista em comercio sexual. Os políticos com quem ele falou confessaram que a legislação provocou uma grave confusão em uma situação já sem salvação. O trabalho de reparação está começando – a ver qual beneficio isso trará. As mulheres que alugam as vitrines em breve serão obrigadas a se registrarem como prostitutas. Isso será tão ineficiente como obrigá-las a pagar taxas. Quando o falso sindicato fundado pelo governo para supostamente para representar as pessoas envolvidas na prostituição fez um recrutamento massivo de filiações depois da legalização, apenas cem pessoas aderiram, em sua maioria strippers e dançarinas de ¨lap dancing¨.

Ao invés de remover a marginalidade do distrito da luz vermelha, a área se tornou mais depressiva que nunca, cheia de turistas bêbados e em busca de sexo, que agem como consumidores que gostam de olhar vitrines, apontando e rindo das mulheres que eles vêem. As mulheres locais passam pelas ruas com as cabeças baixas, tentando não ver as outras mulheres expostas nas vitrines como cortes de carne em um açougue. Homens podem ser vistos entrando nas casas de prostituição ou tentando pechinchar o preço do programa. Outros são vistos levantando o zíper da calça. Muitas das mulheres parecem bastante jovens, todas elas entediadas e a maioria sentada em um banquinho, usando roupa íntima e jogando com seus celulares.

Em nenhum outro lugar do mundo a prostituição de rua é legalizada porque as pessoas não a querem à vista. Onde há uma rua para o comércio sexual, mulheres são abordadas à caminho de casa por fregueses e, geralmente, camisinhas, instrumentos de drogas e cafetões são visíveis. Mas a Holanda decidiu em 1996 que a prostituição de rua era um modo decente de ganhar dinheiro e criou várias “áreas de tolerância” para homens alugarem, com segurança, uma vagina, ânus ou boca por alguns minutos. Carros dirigem para dentro de cubículos. Sendo a Holanda, há uma área especial para ciclistas. Mantenha a prostituição verde!

No dia depois da zona de Amsterdam abrir, centenas de residentes da vizinhança ocuparam as ruas em protesto. Foram precisos 6 anos para o prefeito admitir em público que o experimento tinha sido um desastre, um imã para mulheres traficadas, traficantes de drogas e meninas menores. Zonas em Rotterdam, The Hague e Heerlen foram fechadas por circunstâncias similares. A direção desta viagem é clara: a legalização será revogada. Legalização não tem sido emancipação. Tem resultado, pelo contrário, no tratamento terrível, desumano e degradante das mulheres, porque declara aceitável a compra e venda da carne humana. E, enquanto o governo holandês se reforma de cafetão para protetor, este terá tempo para refletir sobre os danos causados ​​às mulheres apanhadas nesta experiência social calamitosa.

*Texto originalmente publicado em The Spectator, traduzido coletivamente por Bruna Provazi, Clarisse Goulart, Rafaela Rodrigues, Thandara Santos, Tica Moreno e Sarah de Roure.

In http://marchamulheres.wordpress.com/2013/02/22/por-que-nem-amsterda-quer-as-casas-de-prostituicao-legalizadas/

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Este é o primeiro estudo científico a fornecer respostas.

 

Aborto é um procedimento médico amplamente discutido e pouco estudado. Existem alguns estudos de validade duvidosa que conectam aborto a doenças mentais e uso de drogas. Os políticos têm usado esses estudos para justificar maiores limitações para mulheres que pensam em fazer aborto nos Estados Unidos e no Brasil a questão também é polêmica. Não havia esforço algum para estudar o que acontece com as mulheres que querem abortar, mas não podem devido às regras restritivas. Pelo menos até agora. Um novo estudo longitudinal revela o que acontece com a sua posição econômica, saúde e relacionamento depois de tentar fazer um aborto e ele ser negado.

 

Pesquisadores de saúde pública junto com o grupo Advancing New Standards in Public Health (ANSIRH) da Universidade de São Francisco usaram dados de 956 mulheres que procuraram uma das 30 clínicas de aborto dos Estados Unidos que fizeram parte do estudo. 182 dessas mulheres tiveram o aborto negado.

Os pesquisadores, liderados por Diana Foster Greene, procuraram essas mulheres e fizeram intensas entrevistas com elas. Algumas conseguiram abortar com facilidade, algumas precisaram lutar para consegui-los, e outras tiveram o aborto negado porque a gestação havia passado alguns dias além do limite aceito pelas clínicas locais. Há duas semanas o grupo de pesquisa apresentou o que elas aprenderam, depois de quatro dos cinco anos planejados para o seu estudo, na conferência da Associação de Saúde Pública Americana em São Francisco.

Eis aqui um resumo do que eles descobriram, retirado de um post que eles fizeram na página do Facebook da pesquisa:

Nós descobrimos que não há consequências na saúde mental de uma mulher que fez o aborto comparadas àquelas que mantiveram uma gravidez indesejada até o fim. Existem outras descobertas interessantes: mesmo um aborto tardio é mais seguro do que dar à luz. Além disso, mulheres que aguentaram até o fim da gravidez indesejada são três vezes mais propensas a estarem abaixo da linha da pobreza dois anos depois, quando comparadas as que fizeram um aborto.

Abaixo, você encontrará a versão mais longa e complexa da história. Eu conversei com Greene sobre as descobertas preliminares do grupo.

Pobreza

As mulheres no estudo estavam em posições econômicas comparáveis entre si no momento que procuraram as clínicas de aborto. No grupo que teve o aborto negado, 45% estavam recebendo ajuda do governo e dois terços tinham renda inferior à linha de pobreza dos Estados Unidos. Um dos maiores motivos que as mulheres citam para fazer aborto é a falta de dinheiro e, baseado na renda das que foram rejeitadas, parece que elas estão certas.

Entre a maioria das mulheres que tiveram abortos rejeitados, 86% estavam vivendo com seus bebês um ano depois. Apenas 11% tinham colocado os bebês para adoção. Também um ano depois, elas estavam muito mais propensas a depender de ajuda do governo – 76% das que tiveram o aborto rejeitado estavam recebendo uma espécie de seguro desemprego, enquanto só 44% das que conseguiram abortar estavam na mesma situação. 67% do grupo das que tiveram o aborto negado estavam abaixo da linha da pobreza (contra 56% das mulheres que fizeram abortos) e apenas 48% tinham um emprego de período integral (contra 58% das mulheres que fizeram abortos).

Quando uma mulher não pode receber o aborto que deseja, ela tem maior probabilidade de acabar desempregada, dependendo de ajuda do governo e abaixo da linha da pobreza. Outra conclusão que podemos chegar é que negar aborto às mulheres coloca um fardo maior para o estado porque estas novas mães aumentam a dependência em programas de assistência pública.

Violência e uso de drogas

No estudo, os pesquisadores não encontraram diferenças estatisticamente significativas no uso de drogas comparando as mulheres que fizeram o aborto e as que não fizeram. Aparentemente não há uma correlação entre aborto e o aumento no uso de drogas. Um dado interessante que elas encontraram foi o que mostrou que usuárias de drogas que não conseguiram fazer abortos eram mais propensas a doar seus filhos para adoção.

Infelizmente, quando se trata de violência doméstica, ter um aborto negado faz uma grande diferença. Mulheres que tiveram o aborto negado eram mais propensas a ficar em um relacionamento com um parceiro abusivo do que mulheres que fizeram abortos. Um ano depois de ter o aborto negado, 7% relataram um caso de violência doméstica nos últimos seis meses. 3% das mulheres que abortaram relataram violência doméstica no mesmo período. Green enfatizou que o motivo das mulheres se envolverem em relacionamentos abusivos não era ter o aborto rejeitado. O aborto simplesmente permitiria que as mulheres saíssem desse tipo de relacionamento com mais facilidade. Então é provável que esses números realmente reflitam uma queda na violência doméstica para mulheres que abortam, no lugar de um aumento entre as que não conseguiram abortar.

Este padrão de violência também é parte de um padrão de comportamento mais amplo, que mostra que mulheres que têm abortos negados são mais propensas a permanecer em um relacionamento com os pais de seus filhos. Obviamente, isso não é sempre algo bom, como as estatísticas de violência mostram. Mas mesmo na vasta maioria dos casos onde não há violência envolvida, Greene notou que estes homens não estavam morando com as mães de seus filhos.

Os pesquisadores perguntaram às mulheres sobre morar com seus parceiros e descobriram que os homens não estariam mais propensos a morar com uma mulher que deu a luz à seu filho, do que eles estariam a morar com uma mulher que fez um aborto. “O cara não continua por perto só porque você teve o bebê – essa é a maneira mais simples de dizer isso,” Green disse.

Emoções

Uma das maiores preocupações sobre o aborto é que ele causaria problemas emocionais que levariam à depressão clínica. O estudo abordou a questão sob dois pontos de vista: como as mulheres que fizeram abortos e as que não fizeram se sentiam; e se elas desenvolveram depressão clínica. “É importante lembrar que como você se sente é uma questão separada da questão ‘você tem ou não um problema de saúde mental’”, Greene disse. Nós iremos entrar na questão das emoções aqui, e discutir a saúde mental na próxima seção.

Os pesquisadores disseram no encontro da Associação de Saúde Pública Americana que “uma semana depois do aborto, 97% das mulheres que conseguiram abortar sentiram que o aborto foi a decisão certa; 65% das que tiveram o aborto recusado ainda desejavam ter conseguido abortar”. Também uma semana depois do aborto negado, estas mulheres tinham maior sensação de ansiedade do que as mulheres que tinham abortado. As mulheres que fizeram abortos, em sua maioria (90%), disseram se sentir aliviadas, apesar de algumas também se sentirem tristes e culpadas depois. Todavia, esses sentimentos naturalmente desapareceram em ambos os grupos. Um ano depois, não havia diferença na ansiedade ou depressão entre os grupos.

Em outras palavras, o estudo não encontrou indícios que havia emoções negativas prejudiciais e duradouras associadas em fazer um aborto. A única diferença emocional entre os dois grupos um ano depois foi que as mulheres que tiveram o aborto negado estavam mais estressadas. Elas estavam mais propensas a dizer que sentiam como se tivessem mais coisas para fazer do que realmente conseguiam.

Nada disso resultava em depressão clínica. “Aborto e depressão não parecem diretamente ligados”, disse Greene. “Apesar disso, nós iremos continuar a acompanhar essas mulheres por cinco anos. Então podemos encontrar algo mais para frente”.

Saúde física e mental

O estudo examinou a questão da saúde mental das mulheres a partir de vários pontos de vista e não encontrou evidências de que o aborto poderia ser ligado ao aumento de distúrbios mentais. Eles descobriram que o grupo de mulheres que teve o aborto negado tinha mais riscos de saúde ao dar à luz. Mesmo abortos em estágios avançados da gravidez eram mais seguros que dar à luz. Os pesquisadores disseram no encontro da APHA:

Nós descobrimos que complicações na saúde física são mais comuns e graves depois do parto (38% passaram por limitações nas atividades, por 10 dias em média) comparadas com o aborto (24% tiveram limitações nas atividades, por 2.7 dias em média). Não houve nenhuma complicação grave após o aborto; já as complicações pós-parto incluíram convulsões, fratura na pélvis, infecção e hemorragia. Nós não encontramos diferenças  em condições crônicas de saúde depois de uma semana ou um ano depois do aborto.

Se você olhar para todos esses dados juntos, surge uma nova visão do aborto e como os governos querem lidar com isso. Para economizar dinheiro em projetos de assistência pública, deve-se facilitar o acesso ao aborto. Além disso, existem evidências fortes de que facilitar o aborto irá permitir que as mulheres fiquem mais saudáveis e com situação financeira melhor. Ao negar aborto às mulheres, nós arriscamos manter tanto as mulheres quanto seus filhos em situação de pobreza – e, possivelmente, no caminho da violência doméstica.

Leia mais sobre esses estudos no resumo da American Public Health Association aqui e aqui.

Este estudo foi custeado totalmente através de doações. Se você quiser apoiar mais pesquisas sobre a vida de mulheres que tiveram o aborto negado ao redor do mundo, por favor considere doar para o Global Turnaway Study no Indie GoGo.

In http://jezebel.uol.com.br/o-que-acontece-com-a-vida-das-mulheres-que-tiveram-um-aborto-negado/

Os monólogos da Vagina – legendado


Livro Os monólogos da vagina – download

O livro e vídeo tratam da controversa relação das mulheres com seu órgão sexual e através de entrevistas a autora vai revelando essa história complicada, mas cheia de delícias e também dores.

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Porque os orgasmos dos homens não são mais importantes que:

bebês.
animais.
as mulheres.
sanidade.
direitos humanos.
objetos inanimados que os homens fetichizam.

Porque as mulheres não são:

matrizes de reprodução.
empregadas domésticas.
bonecas de prazer.
prostitutas felizes.
objetos.
vagabundas, vadias *.
sujas.
a raiz de todo mal.
sacos de pancada.
perfeitas vítimas de assassinato.
santas.
putas.

Porque a prostituição não é:

empoderador.
uma escolha.
uma maneira rápida e fácil de ganhar dinheiro.
um caminho mais fácil.
não traumatizante.
uma questão de consentimento.
um trabalho como qualquer outro.
bom para algumas mulheres.
trabalho.

Porque ser mulher não é redutível a:

O que veste.
os nossos penteados.
o que nós consumimos.
o tamanho do nosso corpo.
quão forte nós somos.
uma performance.
uma idéia na cabeça de um homem.
que tipo de veículo dirigimos.
se nós pintamos nossas unhas ou não.
se nós amamos as mulheres ou homens ou ambos ou nenhum.
estereótipos.

Porque as crianças não são:

trabalhadoras infantis do sexo.

Porque vítimas de tráfico sexual não são:

Profissionais do sexo migrantes.

* Nenhuma mulher é uma vadia, nem mesmo VOCÊ,  ‘vadia’ das marchas.

In Anti-porn Feminists

Tradução: Arttêmia Arktos

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A maioria das pessoas é capaz de reconhecer o sexismo em suas vidas diárias? E o que é preciso para fazê-las sacudir suas crenças sexistas?

Num estudo recente intitulado “Ver o invisível” as psicólogas Janet Swim da Pennsylvania State University e Julia Becker da Philipps University Marburg, na Alemanha, começaram a responder essas perguntas.

Ao longo de 7 dias e 3 testes distintos, Swim e Becker pediram a 120 universitários (82 mulheres e 38 homens, variando entre 18  e 26 anos de idade, alguns dos EUA e outros da Alemanha) que anotassem num diário, comentários sexistas que encontrassem em seu dia a dia. De acordo com Swim, ela e Becker esperavam determinar se forçando as pessoas a prestar atenção para as menos óbvias formas de sexismo, poderiam diminuir seu apoio a crenças sexistas.

Durante os testes, os indivíduos foram instruídos a observar casos de comportamento sexista próximo às mulheres que vão desde atenção sexual não desejada, piadas sexistas a comentários descaradamente depreciativos.

Foram também convidados a registrar ações mais sutis, que muitos consideram inofensivas: homens chamando mulheres de “garotas”, elogiando-as nos comportamentos tipicamente femininos e protegendo-as de tarefas mais “masculinas”. Swim e Becker descreveram para os participantes esses sexismos menos óbvios como “sexismo benevolente”, um termo criado pelos psicólogos Peter Glick e Susan Fisk num estudo em 1996 para se referir a “ uma atitude paternalista em relação às mulheres que idealiza-as afetivamente”, disse Glick ao The Huffington Post.

Em media, registraram dois termos depreciativos, dois comentários sexistas, 1,5 expressões de crenças negativas sobre as mulheres e 1,5 expressões que pareciam  positivas mas que de fato eram sexistas durante a semana. Swim lembrou de uma participante ter relatado que um estranho a abordou numa lavanderia e perguntou se ela poderia dobrar suas roupas e que por isso seria considerada “boazinha”.

Esse tipo de sexismo é “ambíguo”, disse Swim, e “as pessoas não sabem se eles estão brincando, então acabam ignorando um após o outro”.

Se você é instruído e confrontado por exemplos de sexismo, então começa a enxergar o invisível”, acrescentou.

A prevalência do sexismo _ benévolo ou hostil _ não era o foco principal do estudo, nem sua maior revelação. A descoberta mais significativa tem a ver em como as crenças dos homens e das mulheres mudaram depois que se conscientizaram de sua predominância. Além de pedir aos participantes para registrar ocorrências de sexismo, os pesquisadores também avaliaram o grau em que toleraram o comportamento sexista.

Depois de registrados os comportamentos sexistas, as pesquisadoras observaram que as mulheres eram mais propensas a considerar o comportamento menos aceitável. Os homens, por outro lado, continuaram a endossar o machismo, mesmo depois de se tornarem mais conscientes disso.

Porém, quando foi pedido para que demonstrassem empatia com as mulheres que são os alvos específicos dos incidentes sexistas, os homens foram menos propensos a sancionar o sexismo mais escancarado.

Num exemplo, os homens orientados a considerar os sentimentos das mulheres, foram menos propensos a achar que as mulheres reagem de forma exagerada ao responderem negativamente a um comportamento machista.

Quando se tratava de casos de sexismo benevolente,  porém, as atitudes dos homens não se alteraram. De acordo com Swim, os homens não consideraram declarações do tipo “uma boa mulher dever ser posta num pedestal” ou “em um desastre, as mulheres devem ser salvas antes dos homens”, como sexistas.

A pesquisa de Beck e Swim provocou indignação em alguns setores, apoiados por manchetes como essa do UK’s Daily Mail: “Homens que abrem portas para mulheres são SEXISTAS, não cavalheiros, afirmam feministas”. Focando as críticas nas pesquisadoras que pediram aos participantes que identificassem o aparente bem-intencionado comportamento masculino como discriminatório.

Anna Rittgers, uma blogueira do conservador Independent Women’s Forum, escreveu que primeiro achou que o estudo era uma farsa e que ela estava “começando a suspeitar que o movimento feminista moderno é constituído na verdade por um bando de genuínas misóginas, cujo objetivo é fazer com que as mulheres pareçam ridículas”.

O blog irlandês Joe.ie It’s Man Stuff escreveu sarcasticamente: “Bom trabalho senhoras, vamos garantir que bebam umas cervejas por isso, se apareceram para uma visita em Dublin. Mas vocês pagarão pelas cervejas, obviamente”.

A blogueira Mockarena, co-fundadora do blog Chicks on the Right, escreveu, “Eu não sei sobre vocês, mas é muito prejudicial para mim quando meu marido insiste em dirigir durante longas viagens de carro. Eu fico totalmente prejudicada psicologicamente quando ele diz que não vive sem mim. E me sinto profundamente discriminada quando tem a audácia de consertar os freios do meu carro”.

Mockarena disse mais tarde ao The Huffington Post que ela estava em “total descrença sobre o completo absurdo” do estudo.

“Claro que existem homens que podem ser completos machistas, que se comportam de forma inadequada e sem nenhuma consideração para os limites que uma mulher define”, ela disse. “Mas eu realmente acredito que se as mulheres não distinguem a diferença entre atos de pura consideração _como um marido ajudar a esposa a carregar os mantimentos _ e um indesejável beliscão na bunda, francamente, elas tem um problema.”

Glick, co-autor do estudo original sobre sexismo benevolente, disse temer que o sexismo benevolente tenha se tornado uma caricatura para a mídia e o público.

Nós não pensamos que os homens devem deixar de ser educados”, disse ele. “Muitas vezes o comportamento cavalheiresco é apropriado. O importante é saber quando se está cruzando a linha.”

“As próprias mulheres ignoram todo os tipos de sexismo e parte desse comportamento é um mecanismo de enfrentamento”, disse Swim. “Você quer viver a sua vida.”

Mas ignorar o sexismo tem conseqüências, ela disse. Muitas vezes a aceitação de formas mais sutis de sexismo, pode levar à aceitação de formas mais amplas de discriminação de gênero.

De acordo com Glick, o sexismo benevolente pode  de diversas maneiras, involuntariamente se transformar em sexismo hostil, quando uma mulher recusa assumir um papel pré-estabelecido. Ele usou o ambiente de trabalho como exemplo.

Se um homem se oferece para ajudar uma colega a configurar um computador do escritório, Glick disse, e ela aceita, é percebida como cordial, mas também como incompetente. Mas se ela recusa educadamente, muitas vezes é vista como uma “vadia”. Homens que aceitam ajuda são vistos como incompetentes, mas não sofrem a mesma discriminação se tentam fazer as tarefas sozinhos.

Então, para onde vamos a partir daqui?

“Mudar requer um debate sobre quando o sexismo benevolente deixa de ser ruim”, disse Swim  ao The Huffington Post. “Nem todas as mulheres pensam que é ruim, e isso diz respeito a se criar uma consciência cultural do que acontece quando as mulheres mantem a dependência e homens fazem coisas que não são tão obviamente sexistas.”

Nesse meio tempo, Swim considera “igualmente interessante” as pessoas serem capazes de desconsiderar o sexismo que elas experimentam em seu dia-a-dia “quando pensam se o sexismo é um problema ou não.”

In http://migre.me/9hysx

Tradução Arttêmia Arktos

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Aborto não é um risco à saúde mental mas gravidezes indesejadas sim, segundo estudo


LONDRES – O aborto não aumenta a possibilidade de uma mulher desenvolver problemas de saúde mental, de acordo com a revisão de uma agência de saúde britânica, de dezenas de estudos em todo o mundo nos últimos 20 anos.

Entre as mulheres com gravidezes indesejadas, aquelas que tiveram abortos não eram mais propensas a sofrer de problemas como ansiedade ou depressão do que as mulheres que deram à luz, concluiu a análise do U.K.’s National Collaborating Centre for Mental Health.

A pesquisa oferece “notícia tranquilizadora” de que o aborto não causa problemas de saúde mental, mas alerta que os agentes de saúde devem ficar atentos ao problema da gravidez indesejada,  disse o Dr. Tim Kendall, diretor do centro.

É provável que o relatório seja recebido com ceticismo por aqueles que se opõem à prática e acreditam que interromper uma gravidez pode desencadear depressão ou outras doenças mentais.

Kendall declarou que os problemas mentais pareciam estar ligados especificamente à gravidez indesejada, em vez de ao aborto.

Cerca de 11 a 12 por cento das mulheres em geral sofrem de problemas de saúde mental, como ansiedade ou depressão, mas entre as mulheres com gravidezes indesejadas esse número cresce para cerca de 1/3, disse ele. Para as mulheres que mais tarde tiveram um aborto, não foi encontrado nenhum indicativo de aumento na taxa de problemas mentais.

“Nós deveríamos estar observando o que torna a fase da gravidez indesejada tão problemática”, disse ele. “Precisamos ajudar essas mulheres o mais cedo possível para que não sejam expostas a um risco maior.”

Kendall e colaboradores revisaram 44 estudos realizados em todo o mundo de 1990-2011, que incluiu milhões de mulheres com gravidezes não desejadas a partir de fontes, incluindo sistemas nacionais de saúde e bancos de dados seguros.

Eles concluíram que a melhor maneira de prever se as mulheres teriam um problema psiquiátrico após um aborto era se elas tinham problemas mentais antes de engravidar. Kendall falou da possibilidade de mulheres com problemas de saúde mental depois de uma gravidez indesejada apresentarem um maior risco de engravidar ou de que uma gravidez indesejada agravasse sua saúde mental.

A revisão foi lançada sexta-feira pela Britain’s Academy of Medical Royal Colleges and the Royal College of Psychiatrists. Foi pago pelo departamento de saúde  do Reino Unido.

Dr. Kate Guthrie, porta-voz do Royal College of Obstetricians and Gynecologists, declarou em um comunicado que era  a chave no atendimento que a equipe de cuidados de saúde prestava, o acompanhamento cuidadoso  das mulheres vulneráveis a problemas de saúde mental depois da interrupção de uma gravidez. Ela não estava conectada à revisão.

Guthrie disse que o grupo recentemente revisou as suas próprias orientações sobre o aborto para destacar a necessidade de trabalhadores de saúde orientar  às mulheres sobre a “gama de respostas emocionais”, que podem ser experimentadas durante e após um aborto.

In  http://www.huffingtonpost.com/2011/12/09/abortion-mental-health_n_1138545.html

Tradução Arttemia Arktos

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