Estudo: homens não reconhecem o sexismo benevolente
29 mai 2012 Deixe um comentário
em feminismo Tags:estudo, feminismo, homens, machismo, misoginia, mulheres, pesquisa, sexismo, sexismo benevolente, sexismo hostil
A maioria das pessoas é capaz de reconhecer o sexismo em suas vidas diárias? E o que é preciso para fazê-las sacudir suas crenças sexistas?
Num estudo recente intitulado “Ver o invisível” as psicólogas Janet Swim da Pennsylvania State University e Julia Becker da Philipps University Marburg, na Alemanha, começaram a responder essas perguntas.
Ao longo de 7 dias e 3 testes distintos, Swim e Becker pediram a 120 universitários (82 mulheres e 38 homens, variando entre 18 e 26 anos de idade, alguns dos EUA e outros da Alemanha) que anotassem num diário, comentários sexistas que encontrassem em seu dia a dia. De acordo com Swim, ela e Becker esperavam determinar se forçando as pessoas a prestar atenção para as menos óbvias formas de sexismo, poderiam diminuir seu apoio a crenças sexistas.
Durante os testes, os indivíduos foram instruídos a observar casos de comportamento sexista próximo às mulheres que vão desde atenção sexual não desejada, piadas sexistas a comentários descaradamente depreciativos.
Foram também convidados a registrar ações mais sutis, que muitos consideram inofensivas: homens chamando mulheres de “garotas”, elogiando-as nos comportamentos tipicamente femininos e protegendo-as de tarefas mais “masculinas”. Swim e Becker descreveram para os participantes esses sexismos menos óbvios como “sexismo benevolente”, um termo criado pelos psicólogos Peter Glick e Susan Fisk num estudo em 1996 para se referir a “ uma atitude paternalista em relação às mulheres que idealiza-as afetivamente”, disse Glick ao The Huffington Post.
Em media, registraram dois termos depreciativos, dois comentários sexistas, 1,5 expressões de crenças negativas sobre as mulheres e 1,5 expressões que pareciam positivas mas que de fato eram sexistas durante a semana. Swim lembrou de uma participante ter relatado que um estranho a abordou numa lavanderia e perguntou se ela poderia dobrar suas roupas e que por isso seria considerada “boazinha”.
Esse tipo de sexismo é “ambíguo”, disse Swim, e “as pessoas não sabem se eles estão brincando, então acabam ignorando um após o outro”.
“Se você é instruído e confrontado por exemplos de sexismo, então começa a enxergar o invisível”, acrescentou.
A prevalência do sexismo _ benévolo ou hostil _ não era o foco principal do estudo, nem sua maior revelação. A descoberta mais significativa tem a ver em como as crenças dos homens e das mulheres mudaram depois que se conscientizaram de sua predominância. Além de pedir aos participantes para registrar ocorrências de sexismo, os pesquisadores também avaliaram o grau em que toleraram o comportamento sexista.
Depois de registrados os comportamentos sexistas, as pesquisadoras observaram que as mulheres eram mais propensas a considerar o comportamento menos aceitável. Os homens, por outro lado, continuaram a endossar o machismo, mesmo depois de se tornarem mais conscientes disso.
Porém, quando foi pedido para que demonstrassem empatia com as mulheres que são os alvos específicos dos incidentes sexistas, os homens foram menos propensos a sancionar o sexismo mais escancarado.
Num exemplo, os homens orientados a considerar os sentimentos das mulheres, foram menos propensos a achar que as mulheres reagem de forma exagerada ao responderem negativamente a um comportamento machista.
Quando se tratava de casos de sexismo benevolente, porém, as atitudes dos homens não se alteraram. De acordo com Swim, os homens não consideraram declarações do tipo “uma boa mulher dever ser posta num pedestal” ou “em um desastre, as mulheres devem ser salvas antes dos homens”, como sexistas.
A pesquisa de Beck e Swim provocou indignação em alguns setores, apoiados por manchetes como essa do UK’s Daily Mail: “Homens que abrem portas para mulheres são SEXISTAS, não cavalheiros, afirmam feministas”. Focando as críticas nas pesquisadoras que pediram aos participantes que identificassem o aparente bem-intencionado comportamento masculino como discriminatório.
Anna Rittgers, uma blogueira do conservador Independent Women’s Forum, escreveu que primeiro achou que o estudo era uma farsa e que ela estava “começando a suspeitar que o movimento feminista moderno é constituído na verdade por um bando de genuínas misóginas, cujo objetivo é fazer com que as mulheres pareçam ridículas”.
O blog irlandês Joe.ie It’s Man Stuff escreveu sarcasticamente: “Bom trabalho senhoras, vamos garantir que bebam umas cervejas por isso, se apareceram para uma visita em Dublin. Mas vocês pagarão pelas cervejas, obviamente”.
A blogueira Mockarena, co-fundadora do blog Chicks on the Right, escreveu, “Eu não sei sobre vocês, mas é muito prejudicial para mim quando meu marido insiste em dirigir durante longas viagens de carro. Eu fico totalmente prejudicada psicologicamente quando ele diz que não vive sem mim. E me sinto profundamente discriminada quando tem a audácia de consertar os freios do meu carro”.
Mockarena disse mais tarde ao The Huffington Post que ela estava em “total descrença sobre o completo absurdo” do estudo.
“Claro que existem homens que podem ser completos machistas, que se comportam de forma inadequada e sem nenhuma consideração para os limites que uma mulher define”, ela disse. “Mas eu realmente acredito que se as mulheres não distinguem a diferença entre atos de pura consideração _como um marido ajudar a esposa a carregar os mantimentos _ e um indesejável beliscão na bunda, francamente, elas tem um problema.”
Glick, co-autor do estudo original sobre sexismo benevolente, disse temer que o sexismo benevolente tenha se tornado uma caricatura para a mídia e o público.
“Nós não pensamos que os homens devem deixar de ser educados”, disse ele. “Muitas vezes o comportamento cavalheiresco é apropriado. O importante é saber quando se está cruzando a linha.”
“As próprias mulheres ignoram todo os tipos de sexismo e parte desse comportamento é um mecanismo de enfrentamento”, disse Swim. “Você quer viver a sua vida.”
Mas ignorar o sexismo tem conseqüências, ela disse. Muitas vezes a aceitação de formas mais sutis de sexismo, pode levar à aceitação de formas mais amplas de discriminação de gênero.
De acordo com Glick, o sexismo benevolente pode de diversas maneiras, involuntariamente se transformar em sexismo hostil, quando uma mulher recusa assumir um papel pré-estabelecido. Ele usou o ambiente de trabalho como exemplo.
Se um homem se oferece para ajudar uma colega a configurar um computador do escritório, Glick disse, e ela aceita, é percebida como cordial, mas também como incompetente. Mas se ela recusa educadamente, muitas vezes é vista como uma “vadia”. Homens que aceitam ajuda são vistos como incompetentes, mas não sofrem a mesma discriminação se tentam fazer as tarefas sozinhos.
Então, para onde vamos a partir daqui?
“Mudar requer um debate sobre quando o sexismo benevolente deixa de ser ruim”, disse Swim ao The Huffington Post. “Nem todas as mulheres pensam que é ruim, e isso diz respeito a se criar uma consciência cultural do que acontece quando as mulheres mantem a dependência e homens fazem coisas que não são tão obviamente sexistas.”
Nesse meio tempo, Swim considera “igualmente interessante” as pessoas serem capazes de desconsiderar o sexismo que elas experimentam em seu dia-a-dia “quando pensam se o sexismo é um problema ou não.”
In http://migre.me/9hysx
Tradução Arttêmia Arktos
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Aborto não é um risco à saúde mental mas gravidezes indesejadas sim, segundo estudo
27 abr 2012 2 Comentários
em feminismo Tags:aborto, ansiedade, depressão, gravidez, gravidez indesejada, legalização do aborto, mulheres, pro-escolha, problemas mentais, psquiátricos
LONDRES – O aborto não aumenta a possibilidade de uma mulher desenvolver problemas de saúde mental, de acordo com a revisão de uma agência de saúde britânica, de dezenas de estudos em todo o mundo nos últimos 20 anos.
Entre as mulheres com gravidezes indesejadas, aquelas que tiveram abortos não eram mais propensas a sofrer de problemas como ansiedade ou depressão do que as mulheres que deram à luz, concluiu a análise do U.K.’s National Collaborating Centre for Mental Health.
A pesquisa oferece “notícia tranquilizadora” de que o aborto não causa problemas de saúde mental, mas alerta que os agentes de saúde devem ficar atentos ao problema da gravidez indesejada, disse o Dr. Tim Kendall, diretor do centro.
É provável que o relatório seja recebido com ceticismo por aqueles que se opõem à prática e acreditam que interromper uma gravidez pode desencadear depressão ou outras doenças mentais.
Kendall declarou que os problemas mentais pareciam estar ligados especificamente à gravidez indesejada, em vez de ao aborto.
Cerca de 11 a 12 por cento das mulheres em geral sofrem de problemas de saúde mental, como ansiedade ou depressão, mas entre as mulheres com gravidezes indesejadas esse número cresce para cerca de 1/3, disse ele. Para as mulheres que mais tarde tiveram um aborto, não foi encontrado nenhum indicativo de aumento na taxa de problemas mentais.
“Nós deveríamos estar observando o que torna a fase da gravidez indesejada tão problemática”, disse ele. “Precisamos ajudar essas mulheres o mais cedo possível para que não sejam expostas a um risco maior.”
Kendall e colaboradores revisaram 44 estudos realizados em todo o mundo de 1990-2011, que incluiu milhões de mulheres com gravidezes não desejadas a partir de fontes, incluindo sistemas nacionais de saúde e bancos de dados seguros.
Eles concluíram que a melhor maneira de prever se as mulheres teriam um problema psiquiátrico após um aborto era se elas tinham problemas mentais antes de engravidar. Kendall falou da possibilidade de mulheres com problemas de saúde mental depois de uma gravidez indesejada apresentarem um maior risco de engravidar ou de que uma gravidez indesejada agravasse sua saúde mental.
A revisão foi lançada sexta-feira pela Britain’s Academy of Medical Royal Colleges and the Royal College of Psychiatrists. Foi pago pelo departamento de saúde do Reino Unido.
Dr. Kate Guthrie, porta-voz do Royal College of Obstetricians and Gynecologists, declarou em um comunicado que era a chave no atendimento que a equipe de cuidados de saúde prestava, o acompanhamento cuidadoso das mulheres vulneráveis a problemas de saúde mental depois da interrupção de uma gravidez. Ela não estava conectada à revisão.
Guthrie disse que o grupo recentemente revisou as suas próprias orientações sobre o aborto para destacar a necessidade de trabalhadores de saúde orientar às mulheres sobre a “gama de respostas emocionais”, que podem ser experimentadas durante e após um aborto.
In http://www.huffingtonpost.com/2011/12/09/abortion-mental-health_n_1138545.html
Tradução Arttemia Arktos
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Fundamentalistas ao ataque contra Judiciário
26 abr 2012 Deixe um comentário
em feminismo Tags:Constituição, cristão, deputados, direitos, fundamentalismo, leis, lgbt, mulheres, religião, teocracia
Os religiosos avançam para tentar nos impor uma teocracia e o alvo agora é o STF que tem decidido a favor de questões que contrariam as crenças dos cristãos evangélicos e católicos sobre reivindicações referentes aos direitos reprodutivos das mulheres e direitos civis dos lgbt’s. Por exemplo:
STF aprova aborto de anencéfalo
e
STF aprova união estável entre gays
Para que avanços como esses não sejam mais possíveis, os teocratas estão apoiando a PEC nº 3/2011 que submete as decisões do STF ao Legislativo e confere aos deputados poder de barrar conquistas como essa que obtivemos com relação ao aborto de anencéfalos. Mais um ataque ao Estado laico e que visa aumentar o poder dos religiosos dentro do estado brasileiro e que poderá ter como consequência a instauração de uma teocracia que vai nos conduzir a um beco sem saída para direitos das mulheres, lgbt’s e prejudicar a atuação dos movimentos sociais, pois a bancada fundamentalista sempre se alia ao que há de mais conservador também em outras questões políticas.
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Milhares de cartas para contar a violência do machismo
24 abr 2012 2 Comentários
em feminismo Tags:agressão, campanha, estupro, governo, história, horror, luta, machismo, misoginia, mulheres, sexismo, violencia, violencia doméstica
O Equador prossegue na sua luta para combater o machismo. A campanha começou com a exibição de vídeos nas tvs e internet, que questionam a educação sexista, os estereótipos machistas e a violência contra mulher, é claro… Numa outra etapa, foi pedido ás mulheres que relatassem suas experiências em caixas de correios espalhadas pelo país. Elas responderam e revelaram as consequências do machismo nas suas vidas, veja:
Milhares de cartas revelam raízes do machismo no Equador
As mais de 10 mil cartas reunidas em um projeto para lutar contra o machismo no Equador com histórias de violência física e psicológica, além de uma infinidades de abusos, denotam que o histórico de inferioridade das mulheres têm raízes profundas no país.
“Cartas das mulheres”, o projeto que começou em novembro com o objetivo de transformar as relações desiguais, permitiu romper o longo silêncio das vítimas que suportaram agressões de seus parceiros e familiares, agressões essas que deixaram dolorosas sequelas.
As mensagens, entregues nas caixas de correio instaladas em todo o país ou saídas de oficinas feitas sobre o tema, relatam dramas anônimos de partir o coração.
Conta a sina, por exemplo, de uma menina que foi estuprada pela primeira vez pelo tio aos sete anos e aos 15 anos por um primo de sua mãe. Depois de casada, seu companheiro começou a agredi-la, inclusive durante a gravidez.
Outra reproduz em carta as infinidades de vezes que precisou mentir para justificar os hematomas das lesões causadas pelas surras que levava de seu marido médico. Em uma ocasião, revela que chegou a estar à beira da morte.
“Um dia uma prima veio de visita e eu estava com o olho roxo. Ela perguntou o que aconteceu e respondi que havia tropeçado na porta. Sorrindo ela contou que também dizia o mesmo para sua mãe quando seu marido batia nela”, relatou uma vítima, que teve coragem para denunciar o marido, mas não recebeu apoio da justiça.
As autoras das cartas se valeram de um papel em branco para serem ouvidas em um país em que 80% das mulheres foram vítimas da violência machista alguma vez na vida, na forma de agressões físicas ou psicológicas, aponta o Plano Nacional de Erradicação da Violência de 2009.
São histórias de mães, irmãs e filhas que perceberam ter crescido em locais onde a violência contra elas era considerada “normal” e pelo fato de serem “mulheres” haviam suportado insultos, castigos e discriminações.
Os idealizadores do projeto apresentaram os resultados preliminares nesta quinta-feira, por ocasião do Dia Internacional da Mulher.
Mais de 48% das cartas citam diferentes tipos de violência doméstica, detalhou à agência FEE Cynthia Bodenhorst, coordenadora de comunicação da Onu-Mulheres para a região andina.
As demais, relatou, são vinculadas aos direitos econômicos, temas trabalhistas, direito à justiça, violência política e psicológica. Muitas narram posições sobre a identidade e orientação sexual e defendem o aborto seguro.
Nas mensagens, as mulheres repetem o desejo de que sua experiência possa ensinar a outras a necessidade de mobilização e de não aguentar em silêncio. Algumas revelam nessas cartas abusos sofridos que nunca haviam contado a ninguém.
Os relatos deixam uma clara mensagem: “é preciso operar uma mudança profunda, mudar os padrões culturais” para erradicar o machismo, afirmou à FEE Ana Rodríguez, coordenadora do Centro de Arte Contemporânea (CAC) de Quito, um dos apoiadores do projeto e onde está em exibição algumas dessas cartas.
Nas paredes do CAC foram afixados ainda letreiros que revelam a injustiça em percentuais. Pelo mesmo trabalho, os homens recebem salários 14% superiores as mulheres no Equador e 68% delas já sofreram assédio sexual ou abuso sexual.
Ana revelou que o testemunho dado nas cartas vai facilitar a elaboração e aplicação de políticas públicas contra a violência de gênero.
A iniciativa funcionou como uma espécie de catarse para as mulheres que participaram, “mas na grande maioria das cartas sente-se que agiram em um gesto coletivo”, comentou Ana, que revelou que esperava 5 mil mensagens no projeto.
“Percebemos que os problemas são enormes e denotam a necessidade das mulheres de participar e expressar-se”, comentou.
O projeto continuará recebendo cartas de mulheres que querem romper o silêncio.
In http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5653792-EI8140,00-Milhares+de+cartas+revelam+raizes+do+machismo+no+Equador.html
Uma campanha como essa, seria muito bem-vinda no Brasil, um país onde a violência machista mata 10 mulheres por dia, onde a cada 12 segundos uma mulher é agredida e a cada quatro horas uma mulher é vítima de estupro e todas as outras formas de violência, como o assédio nas ruas, a exploração do corpo feminino nas mídias e etc. O governo do Equador está dando voz e visibilidade a essas mulheres e isso está fazendo com que a sociedade pense a respeito e questione os valores patriarcais que mantem essa cultura que naturaliza a exploração, a discriminação e a violência contra o sexo feminino.
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21 abr 2012 Deixe um comentário
em Uncategorized Tags:crianças, cultura, excisão, fgm, meninas, misoginia, mutilação genital feminina, patriarcado, sexismo, tradição, violencia contra mulher
- Virginia Lee Barnes, antropóloga americana, morreu em 1990, antes de terminar o trabalho que daria origem a Aman.
– Janice Boddy é professora-adjunta de Antropologia na Universidade de Toronto.
Seu primeiro livro, “Wombs and Alien Spirit” foi recomendado para o prêmio Governor General.
Capítulo 5 O dia da circuncisão de Aman
“…Convidaram todo mundo.Mataram um boi, duas cabras e um carneiro, e cozinharam a noite toda.
Na manhã seguinte mamãe foi tirar leite das vacas. Minhas tias e suas amigas haviam passado a noite em nossas casas, e tinham acordado cedo para fazer chá, café, e um grande café da manhã para para toda essa gente que haviam convidado.
Foi quando me acordaram. Estavam dando banho nas minhas primas e me mandaram tomar banho também. Perguntei por que e elas me perguntaram se eu também queria ser circuncidada. Eu disse sim, queria – todas as meninas da minha idade queriam, porque é uma vergonha não fazer – mas tinha medo. e além disso minha mãe não queria que fosse naquele dia.
Elas falaram comigo com jeitinho e me avisaram que seria feito quer eu gostasse ou não, portanto eu deveria ser boazinha, tomar meu banho e voltar…
…Disseram que não haveria dor e que tinhamos de ser boazinhas, e que nos dariam muito ouro e muito dinheiro, e que aquela que seria melhor ganharia mais. Você sabe, estavam nos enganando. Mas falavam principalmente para mim, porque eu seria a primeira – pois tinha 9 anos, era a mais velha. Então eu disse que estava tudo bem. Do lado de fora as mulheres e crianças estavam cantando e dançando.
A circuncisão é feita do lado de fora da casa, com muito canto e as mulheres batendo palmas, para que ninguém ouça os gritos.
Elas faziam “lululululululu” e cantavam o nome de meu pai e da minha linhagem, dizendo que eram os melhores.
Eu fiquei tão orgulhosa ao ouvir aquilo! Então eu disse a mim mesma: “é, por que não?”
Elas colocavam ouro e dinheiro sobre mim, e me levaram para fora, debaixo de uma das grandes árvore do quintal.
Havia uma mulher forte que segurava as garotas enquanto eram circuncidadas. Ela se sentava num banquinho baixo. Havia outra mulher bem alta, magra e negra, chamada Fátima, que fazia a circuncisão.
A mulher grande me agarrou pela mão e me segurou, e eu disse a ela: “você não precisa me segurar forte, não vou fugir”.
E ela disse: “ah, você é uma boa menina! Nunca vi uma como você. Você é uma grande garotinha, não é? É, sim. Tem certeza que não vai fugir?” Eu respondi: “tenho, e não vou chorar também, e você não vai me amarrar” – eu sabia que elas costumavam amarrar as pernas das meninas. Ela me fez sentar no chão, sobre um pouco de grama seca que tinha colocado ali. Disse-me para tirar o pano que vestia. Sentou-se no banquinho e abriu as pernas, colocando-me no chão com as costas viradas para ela e minhas pernas próximas ás dela. Normalmente ela amarraria as pernas da menina junto ás dela, e quando abrisse as pernas, as da menina se abririam também; além disso, seguraria os braços da menina para que ela não se movesse. Mas eu disse que não precisaria me amarrar, porque queria que todos tivessem orgulho de mim. Se me amarrasse, seria sinal de que eu estava com medo, e eu não queria que fosse assim. Ela confiou em mim, de verdade. Não me amarrou, mas prendeu minhas pernas com as suas e apenas me segurou, para que eu não pulasse.
Fiquei ali sentada e ela me disse o que iria acontecer. “não é nada demais; não dói tanto assim”, ela disse, e me pediu para ser forte como eu havia prometido: “não decepcione a sua família. Não decepcione a si mesma. Se chorar hoje, amanhã as crianças vão rir de você”. Eu repeti que não iria chorar, que seria forte. E fui.
Ela colocou um pequeno recipiente branco com cinzas de carvão na minha frente, entre as minhas pernas. E depois a outra mulher, Fátima – era uma mulher muito bonita – veio na minha direção. Disse-me o seu nome e o quanto estava calma. Falava comigo com delicadeza para que eu não sentisse dor. Disse que se eu fosse ruim, ela também poderia ser ruim – e enquanto falava comigo assim, tirava as facas e os outros instrumentos e os limpava. Depois pegou um pouco das cinzas entre o polegar e o indicador e começou a brincar com meu clitóris, puxando-o para que se tornasse maior, e continuava falando, e eu respondendo e fazendo perguntas – quando ela iria fazer aquilo? – e ela me respondia, embora estivesse mentindo. Depois de tudo pronto, ela me mandou fechar os olhos. Eu perguntei: “é só isso?” E ela disse: “é só isso, é só isso, não vai demorar nem um segundo. Feche os olhos. Quando você abrir, a dor e seu clitóris terão indo embora”. E eu disse: “está bem!”
Então ela pegou a faca – uma pequena faca, com um gancho na ponta. Puxou meu clitóris com mais força, e aí eu virei o rosto e disse para a outra mulher: “abrace-me forte”, e cerrei os dentes. Então, meu Deus, Rahima, tudo aconteceu. Meu corpo foi cortado num segundo, do jeito que Fátima havia dito. Eu pude ouvir um shhhh…como o som de que quando se corta carne. Foi assim que cortaram o meu corpo. Ela cortou tudo – não os grandes lábios, mas cortou o meu clitóris e os dois pequenos lábios, que eram haram (impuros); tudo foi cortado como se se tratasse de um simples pedaço de carne. Minha nossa, Rahima! Eu pensei que fosse morrer. Abri os olhos e olhei para baixo, e o sangue estava jorrando. Uma parte de onde ela havia retirado a carne sangrava muito, e a outra parte estava branca.
Rahima, meu Deus, aquilo era só o começo. Perguntei se havia terminado , e ela disse que não, que iria fazer de novo, e disse outra vez: “só vai levar um minuto”, e eu acreditei.
E todos que assistiam jogavam ouro e dinheiro sobre mim – nas minhas pernas, na cabeça – e cantavam.
Toda vez que eu queria chorar, olhava em volta para ver se alguém me ajudaria, mas só via sorrisos, então ficava constrangida, abria a boca e fingia rir, mas por dentro estava morrendo.
Ela cortou as bordas dos grandes lábios, e depois, com espinhos parecidos com agulhas, costurou sobre a vagina para fechá-las. Colocou sete espinhos, e cada vez que colocava um, ela o apertava com um fio. Ao terminar, colocou uma pasta negra para cessar o sangramento e apressar a cicatrização, e depois gema de ovo para refrescar. Embrulharam as minhas pernas com um pedaço de pano, do tornozelo aos quadrís, vestiram-me novamente e me carregaram para um quarto que tinham preparado para nós. O mesmo foi feito com as outras garotas.
Eu fiquei doente e tive febre. E quando urinava, parecia que ia morrer. Queimava como fogo, como álcool derramado sobre um ferimento aberto. A urina era quente, e eu gritava de dor. Elas tiveram de me cobrir; meus dentes batiam e meu corpo todo tremia quando minha mãe chegou.
…Os espinhos ficaram em mim por três dias, quando a mulher que fez a circuncisão voltou para retirá-los. Todo esse tempo as suas pernas ficam amarradas, mesmo quando vc urina. Você não toma muito líquido para não precisar urinar muito. Também não come quase nada, para não precisar fazer cocô; elas lhes dão apenas sopa de legumes e pão seco, porque querem que seu corpo fique seco rapidamente. Quanto mais líquido você bebe, mais faz xixi e mais o lugar da operação fica molhado, e elas querem evitar isso. Toda vez que você faz xixi arde muito, então elas jogam água morna com sal sobre os genitais enquanto você está fazendo xixi. O sal é desinfetante, e a água morna ameniza a dor. Depois que vc faz xixi, elas secam a ferida e levam você lá pra fora. Lá fora no daash, elas cavam um buraco no chão e enchem de carvão incandescente coberto com cinzas. Colocam incenso sobre ele e fazem você sentar sobre o buraco, apoiada numa mulher sentada num banquinho. A fumaça com o incenso faz você cheirar bem, e o calor faz o ferimento secar. Depos de fazer isso por três dias, de manhã, á tarde e todas as vezes que fizer xixi, você fica curada.
Quando a mulher que fez a operação volta para tirar os espinhos, ela examina a circuncisão para ver se o buraco ficou pequeno ou grande. Ela pega um palito do tamanho de um palito de dente e o introduz em você. Se o seu buraco fou muito mais largo do que um palito de dente – talvez porque você tenha feito xixi rápido demais – ela dá mais um ponto com espinho para fechar novamente. Se não, se o buraco estiver bom, você só descansa por mais sete dias com as pernas amarradas, porém um pouco mais soltas. Elas lhe dão uma bengala, então você anda devagar e senta devagar e deita com as pernas amarradas. Em seis ou sete dias você já está boa e pode ir aonde quiser.
Eu fiquei boa em sete dias, mas uma das meninas que foi circuncidada comigo – aquela que tinha quase a minha idade – teve de fazer tudo de novo, pois quando fez xixi pela primeira vez sentiu muita dor, e não fez mais xixi por três dias. Aí, quando a mulher veio para tirar os pontos, ela fez cocô e xixi tudo ao mesmo tempo, e isso fez o buraco abrir todo. Fátima teve de dar pontos de novo – a menina sofreu mais e teve de ficar em casa quase um mês.
O motivo de ás vezes se precisar dar aquele ponto extra é que, quando você se casa, seu marido pode saber se você é virgem. Se ele vir que você tem um buraco um pouco maior, vai pensar que você andou aprontando. Assim, as mulheres – sua mãe e as mulheres que fazem a circuncisão – têm de garantir que o seu buraco tenha o tamanho certo. É por isso que dão todos aqueles pontos e costuram tudo.
…Uma menina costurada não vai se divertir por aí, pois tem medo da dor e de que a família descubra quando a examinar – o que é feito todas as semanas.
Recebi por e-mail esse texto e não tenho o link. Mas é um relato impactante da violência, que ainda hoje muitas meninas sofrem no mundo, pelo simples fato de terem nascidos mulheres.
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18 abr 2012 5 Comentários
em feminismo Tags:conquistas, direitos, feminismo, homens, jovens, lutas, mulheres, organização, união
Grupos feministas crescem no Reino Unido
Foram as revistas masculinas –com mulheres seminuas em poses sugestivas nas capas– expostas ao nível dos olhos na lojinha da esquina que provocaram a indignação de Isabella Woolford Diaz.
“Acho que eu não deveria ser obrigada a olhar para isso”, disse Diaz, 17. “É degradante. Se as pessoas querem comprar, que comprem, mas acho que alunos de 11 anos não deviam ser obrigados a olhar para isso.” Decidindo fazer algo de concreto, a estudante formou um grupo feminista na Escola Camden para Garotas, e em pouco tempo um grupo de base de 15 adolescentes, garotos e garotas, estavam tomando parte nas reuniões. “Eu estava muito frustrada com a maneira como as mulheres eram retratadas”, falou Diaz. “Me perguntei se estava apenas sendo chata. Mas não demorei a perceber que não era apenas eu que sentia isso.”
Hoje o grupo dela é uma entre dezenas de novas organizações feministas que vêm surgindo em vários pontos do Reino Unido, segundo o grupo de campanha UK Feminista. Pesquisas feitas para comemorar o segundo aniversário do grupo revelaram que o número de organizações feministas ativas de base dobrou nos últimos dois anos.
São feministas que não se enquadram facilmente nos moldes estereotípicos: são jovens e velhas, homens e mulheres, urbanoides e moradoras do campo. Está começando a surgir um novo tipo de feminista.
“São tempos realmente instigantes. Estamos assistindo a um ressurgimento real do ativismo feminista, que está passando das margens para o ‘mainstream’”, comentou Kat Banyard, fundadora do UK Feminista e autora de “The Equality Illusion” (A ilusão da igualdade).
“As pessoas estão se dispondo a erguer a mão e dizer que são feministas, sem medo de serem ridicularizadas. Especialmente nos últimos 12 meses, estamos vendo pessoas se assumindo publicamente como feministas.” Como os integrantes do grupo de Camden, muitas delas são jovens, entusiasmadas e não têm medo de empreender ações diretas.
Anna van Heeswijk, do grupo de campanha Object, falou sobre um grupo de alunos do ensino médio de uma escola urbana para a qual ela fez uma palestra sobre a objetificação sexual das mulheres.
Os alunos foram ao supermercado local para protestar contra a venda de revistas masculinas em posição que fica ao nível dos olhos dos fregueses. Eles foram armados com bandeiras, cornetas e slogans, e no mesmo dia o gerente do supermercado concordou em encomendar capas “de modéstia” para esconder as imagens sexualizadas de mulheres.
“Uma nova geração de mulheres jovens em todo o país está farta de ser sexualizada, objetificada e trivializada”, disse Heeswijk. “Existe poder real nas vozes destas jovens. Este é um bom momento para o ativismo feminista. A maré está virando.”
HOMEM TAMBÉM PODE?
Ativistas vêm questionando há décadas se homens podem ser feministas, mas agora, segundo militantes, homens estão engrossando as fileiras feministas.
Matt McCormack Evans, que fundou o Projeto Homens Antipornografia quando era estudante na Universidade Hull, acredita que mais homens gostariam de envolver-se na luta pela igualdade de gêneros e que mais mulheres estão dispostas a aceitá-los.
“As coisas vêm mudando realmente nos últimos anos, e hoje é muito mais aceitável que homens contestem as ideias tradicionais sobre a masculinidade”, disse. “Muitas feministas mais jovens querem que os homens se envolvam na luta e não têm tanto receio de que eles assumam o controle –ninguém quer ver um movimento feminista comandado por homens. Este é um movimento com metas e objetivos, não um clube com porteiros que decidem quem entra ou não.”
Novos grupos vêm pipocando mesmo em locais distantes. Ativistas feministas podem ser encontradas em praticamente todas as partes da Grã-Bretanha; até mesmo a Rede Feminista de Orkney tem 40 seguidores no Twitter. Michael Moore, o organizador regional do UK Feminista na Irlanda do Norte, disse que sites como Twitter e Facebook possibilitaram que pessoas que vivem mesmo nos pontos mais remotos do Reino Unido participem do debate.
“Hoje isso é fácil como enviar um e-mail para mobilizar pessoas. Não há pedidos de desculpas, não há minutas –as pessoas podem discutir questões imediatamente num espaço on-line. Isso realmente acelerou a capacidade de comunicação.”
“UAU!”
Discussões recentes sobre questões como a lei proposta por Nadine Dorries de tornar obrigatórias as aulas sobre abstinência sexual para garotas adolescentes e os temores suscitados pelo clima cada vez mais antiaborto no Reino Unido vêm colocando o feminismo na pauta da mídia outra vez. E eventos recentes de destaque, como uma série de “SlutWalks” (marchas das vadias) para protestar contra o tratamento dado a vítimas de estupro, vêm levando as feministas de volta às ruas.
Como disse Nina Mega, 17, de Edinburgh: “Às vezes você tem a impressão de que o mundo é um lugar bem misógino e que as feministas são poucas, mas quando você vê todas essas pessoas juntas, homens e mulheres, que pensam do mesmo modo, você diz ‘uau!’.”
De acordo com ativistas, as mulheres hoje enfrentam uma série de desafios que não eram vistos havia uma geração, e todas as ativistas feministas serão muito necessárias.
De acordo com a Fawcett Society, com duas vezes mais mulheres que homens previstas para perder seus empregos no setor público, as mulheres sendo as mais duramente atingidas pelos cortes nos serviços e benefícios e o receio de que, à medida que os serviços prestados pelo Estado se reduzem, as mulheres sejam obrigadas a preencher as brechas, existe o risco de que as conquistas árduas das mulheres em matéria de igualdade sexual sofram retrocessos.
“Estamos vivendo um momento decisivo para os direitos das mulheres”, disse Anna Bird, executiva-chefe da Fawcett Society. “As mulheres estão sentindo o peso maior das demissões e dos cortes de gastos. Ao invés de ver avanços nos direitos das mulheres, é possível que vejamos a disparidade salarial entre homens e mulheres aumentar. Não podemos ser complacentes, e acho que cada vez mais mulheres têm consciência disso.”
“Escolha seu alvo, organize-se e comece a entrar em ação”, propõe líder feminista
O “Guardian” entrevistou Kat Banyard, fundadora do grupo UK Feminista
Leia, abaixo, a entrevista.
“GUARDIAN” – Por que o feminismo é uma “revolução inacabada”?
KAT BANYARD - As mulheres fizeram avanços enormes, mas muitos direitos legais, como a igualdade salarial, ainda não se concretizaram em realidades. Há uma mulher para cada quatro homens no Parlamento, as mulheres que trabalham em período integral ganham em média 15% menos que os homens, e dois terços dos trabalhadores que recebem salários baixos são mulheres. Conquistas arduamente ganhas, como o direito ao aborto legal e seguro, estão sendo atacadas. E novas manifestações de sexismo, como a indústria sexual global, vêm colocando o progresso em marcha a ré.
De que modo os protestos de hoje são diferentes da primeira onda de feminismo?
Está claro que alguns aspectos mudaram. Tome-se a tecnologia: os avanços na tecnologia de comunicações significam que hoje as redes sociais são ferramentas chaves de mobilização, e as feministas podem reportar e divulgar imagens de seus protestos instantaneamente. Ou tome-se o caso da economia: três décadas de neoliberalismo levaram os alvos de protestos a seguir o deslocamento do poder das mãos do governo para as de particulares. Mas os aspectos fundamentais do ativismo feminista continuam os mesmos: a luta contra o privilégio e a busca do lucro, desde o quarto de dormir até os conselhos de direção de empresas. E, como sempre, a promessa do feminismo é um mundo que será melhor para todos.
Como jovens feministas principiantes podem iniciar sua própria “revolução”?
Quer se trate do sexismo de tipo tóxico de Hugh Hefner, da solução fajuta à falta de confiança corporal das mulheres proposta pelo ás da cirurgiã plástica Mel Braham ou, ainda, os cortes na independência financeira das mulheres feitos pela coalizão governista, você tem o poder de enfrentar essas questões. Seja você quem for, esteja onde estiver, há algo que você pode fazer. Portanto, escolha seu alvo, organize-se e comece a entrar em ação.
In Jornal Floripa
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Prostituição para 2014
14 abr 2012 3 Comentários
em feminismo Tags:abuso, adolescentes, cafetão, copa de 2014, crianças, esportivo, estupro, evento, exploraçao sexual, governo, indústria do sexo, legalização, lei, mulheres, política, prostituição, prostituta, sexo, turismo, turismo sexual
Com a proximidade da Copa de 2014 os políticos brasileiros estão se movimentando e já preparam a legalização da exploração sexual de mulheres. Sim, a mais velha forma de exploração do patriarcado sobre as mulheres, pode ser legalizada no Brasil. E se antes os defensores da prostituição disfarçavam o motivo real para a sua defesa da mercantilização feminina, declarando que era para beneficiar as prostitutas, agora o verdadeiro motivo se revelou: um projeto de lei está sendo proposto para legalizar os prostíbulos e descriminalizar o cafetão, o explorador, o dono do prostíbulo:
“Comissão do Senado apresenta uma proposta que pretende eliminar punições a donos de prostíbulos e regulamentar casas de prostituição no Brasil. A proposta, elaborada por especialistas em Direito, deve ser enviada para o Senado no final de maio. Segundo ela, os trabalhadores deverão ter mais de 18 anos e estar de forma espontânea no prostíbulo.”Ler tudo: Casas de prostituição podem ser legalizadas
Os legisladores pretendem acabar com o ‘cinismo’ moral da atual legislação, só que o cinismo fica por conta de, ao invés de se combater a corrupção da polícia, a pobreza, o tráfico de pessoas, a violência nas famílias, se escolhe facilitar a vida dos que exploram, compram, vendem e abusam das mulheres.
Exatamente como na Alemanha, que ao sediar o mesmo evento esportivo, tratou de legalizar a prostituição de olho nos impostos dos ganhos com a compra e venda de mulheres, os políticos brasileiros não querem deixar passar a oportunidade e tratam de se mobilizar para assegurar que os turistas tenham livre acesso aos corpos femininos e o governo uma fonte a mais de renda.
Em todos os países onde foi legalizada a exploração sexual de mulheres, o tráfico de mulheres aumentou e também o tráfico e exploração sexual de meninas e adolescentes. Mas nada disso será empecilho, para os que defendem a compra e venda de mulheres, crianças e adolescentes, continuem a tratar dos interesses dos exploradores e dos homens que demandam por sexo pago.
Segundo a matéria, haverá punição mais severa aos que traficarem e explorarem crianças. Não acredito e a prova está nas autoridades que muito mal ou nada fazem para combater a exploração de crianças, veja as notícias:
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Vale lembrar que pelas estatísticas, a idade média em que uma prostituta ingressa na prostituição é aos 13 anos e foi vítima de abuso sexual na infância, violência na família e pobreza. Legalizar a prostituição adulta só legitimiza a violência de que essas crianças foram vítimas e facilita a vida dos traficantes, cafetões e dos que vivem em torno da atividade de exploração sexual de mulheres, crianças e adolescentes. E também, que a prostituição no Brasil não é crime e as prostitutas podem pagar previdência e tem direito ao atendimento no SUS como qualquer cidadã brasileira. Se a prostituição não é crime, legalizá-la vem muito mais para atender os interesses dos que vivem da exploração das mulheres do que da própria prostituta. Outra questão, se o governo não consegue fiscalizar satisfatoriamente as condições dos trabalhadores dos seus empreendimentos desenvolvimentistas, quem garante que conseguirá fiscalizar os prostíbulos?
A sociedade deveria se empenhar num amplo debate sobre a prostituição e discutir outras alternativas além dessa que só visa o benefício imediatista dos cafetões e dos clientes, e quem sabe adotar o modelo preconizado pela Suécia:
“Na Suécia a prostituição é considerada como um aspecto da violência masculina contra mulheres, raparigas e rapazes. É reconhecida oficialmente como uma forma de exploração de mulheres, raparigas e rapazes, e constitui um problema social significativo…a igualdade de gênero continuará a ser inatingível enquanto os homens comprem, vendam e exploram mulheres, raparigas e rapazes prostituindo-os.”Ler tudo: Sexo e mercado e A solução da Suécia para a prostituição
No patriarcado os homens acreditam que as mulheres tem obrigação de servi-los sexualmente e isso derivou numa atitude de que se as mulheres não fazem sexo com um homem, este pode tomar o sexo á força, seja pagando ou estuprando. Não se combate uma ideologia que empodera homens ás custas das mulheres, legalizando uma forma de exploração.
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