Prostituição e tráfico de seres humanos


O tráfico de seres humanos cresce assustadoramente no mundo todo e se cresce é porque existe uma demanda. Alguém se propõe a comprar uma pessoa e outros se propõe a vendê-la. Máfias tem se dedicado a esse comércio e milhões de pessoas, mulheres e crianças em sua maioria, tem sido vítimas desse crime. Os traficados podem ser destinados a trabalho escravo, prostituição, pornografia e extração de órgãos para transplante, porém a maioria é para a exploração sexual. United Nations Office on Drugs and Crime_Unodc, informou que, em 85% dos casos, a finalidade do tráfico é a exploração sexual e que, em 66% dos casos, as vítimas são mulheres, seguida por meninas (13%), homens (12%) e meninos (9%). No Brasil, o tráfico humano acontece principalmente entre as mulheres negras na faixa etária de 15 a 27 anos.

Segundo a UNICEF mais de um milhão de menores, a maioria meninas, são obrigadas a se prostituir no mundo. A prostituição em todas as suas formas (mulheres, meninas e meninos e homens) é o negócio mais lucrativo, só perdendo para drogas e comércio de armas.

Mas a causa de tudo isso, é a procura dos homens por sexo pago tanto com mulheres, quanto com crianças e outros homens. Embora se diga que mulheres também possam pagar por sexo, seu número é ínfimo perto dos homens, estes sim, os grandes consumidores e fomentadores do tráfico de seres humanos para exploração sexual.

Para se combater a demanda por sexo e consequentemente por fim à exploração sexual e o tráfico, precisamos começar a discutir no Brasil mais sériamente essa questão, pois além de fornecer mulheres para o tráfico, principalmente Espanha e Portugal, nosso país é destino de muitos estrangeiros para o turismo sexual.

Existe uma proposta para legalização da prostituição no Brasil, que se colocada em prática, além de não trazer nenhum benefício real para as prostitutas, vai apenas facilitar a vida daqueles que lucram com a atividade: os cafetões, os donos de hotéis/bordéis, os taxistas, donos de boates e etc… Vejamos o exemplo de países que legalizaram:

“…aumento da prostituição é a legalização efetuada em alguns países (Holanda, Alemanha, Suíça, Austrália, Nova Zelândia, Itália). R. Poulin contribui a respeito com o exemplo da Holanda: “2.500 prostitutas em 1981, 10 mil em 1985, 20 mil em 1989 e 30 mil em 2004. O país conta com 2 mil bordéis e pelo menos 7 mil locais dedicados ao comércio do sexo. 80% das prostitutas são de origem estrangeira e 70% delas são irregulares, vítimas do tráfico da prostituição. Em 1960, 95% das prostitutas da Holanda eram holandesas, em 1999 só 20%. A legalização devia acabar com a prostituição de menores, no entanto, Defense for Children Internacional Netherlands estima que de 1996 a 2001 o número de menores que se prostituem passou de 4 mil a 15 mil. Deles, pelo menos 5 mil seriam estrangeiros. No primeiro ano da legalização, as indústrias do sexo tiveram um crescimento de 25%. Na Dinamarca, no decorrer das últimas décadas, o número de prostitutas de origem estrangeira, vítimas do tráfico, duplicou-se” (R. Polin, Protituzione, cit., 14 s.3).

Vê-se que legalizar só aumenta o comércio de sexo e o tráfico, pois os bordéis para competir entre si, querem corpos novos para que a clientela não se canse. A legalização tem como uma de suas consequências o fato de cada vez mais os homens enxergarem como natural, normal e até desejável as mulheres serem compradas e comercializadas para seu prazer e desfrute, reforçando a noção patriarcal de que as mulheres são propriedade, mercadoria e objeto e que existimos unicamente para atender aos interesses masculinos.

A sociedade não pode mais fingir que esse problema não existe e sim comerçarmos já a pedir por leis que punam o cliente da prostituição, combater o tráfico que se dá para fora e dentro do Brasil e o turismo sexual.

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5 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Trackback: Por que nem Amsterdã quer as casas de prostituição legalizadas | Amazonas e Icamiabas
  2. Geovanna e Jamires
    mai 27, 2011 @ 20:38:55

    Nós estamos fazendo um trabalho escolar sobre o assunto e percebemos, q é um assunto muito extenso e sem soluçoes.E esperamos uma solução das autoridades já, q somos adolescentes e não qremos passar por essas situaçoes constrangedoras.

    • arttemiarktos
      mai 27, 2011 @ 21:04:02

      Espero que o meu texto tenha ajudado na sua pesquisa. Se conscientizar da situação já é um bom começo.

      Soluções existem, o que falta é vontade política e compromisso dos governos e por isso cobrar das autoridades é fundamental.

  3. arttemiarktos
    mar 20, 2011 @ 13:26:15

    Eu espero que as pessoas em geral comecem a prestar mais atenção a esse problema no Brasil. O tráfico de seres humanos corre o risco de superar a venda de armas e de drogas se não for combatido. Não podemos admitir que pessoas sejam compradas e usadas para trabalho escravo, exploração sexual e retirada de órgãos.
    Só combater o tráfico, a exploração e a procura por sexo pago de nada adiantará se a diminuição da pobreza não estiver aliada a esse combate.

  4. Juliano Pereira
    mar 19, 2011 @ 14:23:19

    Caríssima autora ou autor

    Obrigado por tocar neste tema tão negligenciado por nossa sociedade, e que causa uma imensa indignação em todos com um mínimo senso de justiça.
    A industria da prostituição e da pornografia deve ser combatida, pois além de escravizar quem pratica, deturpa quem paga e acentua ainda mais a barbárie em que vivemos.
    Além disso, ainda fazem um filme que traz apologia a prostituição de menores inclusive, no Brasil onde prostituta está virando estrela e sendo ovacionada o que nós podemos esperar de nosso futuro??

    PS: tomei a liberdade de divulgar a matéria via e-mail, pois senti a necessidade de conscientizar. Citei a fonte.

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