Viva a Mulher!

Viva a mulher que trabalha, porque ela tem resistido bravamente às campanhas contra os seus próprios interesses e não se intimida quando tentam convencê-la de que conjugar a vida privada com a vida profissional é querer demais. Porque não se acovarda quando a mídia tenta fazê-la vestir roupas desconfortáveis em nome da uma feminilidade pré-fabricada. Ela compra roupas confortáveis e define a feminilidade de acordo com as próprias necessidades.

Um viva a você, irmã que trabalha, porque quando exortada a se afastar do movimento feminista abraçou seus princípios e o chamou do nome mais conveniente, naquele momento. E mais vivas, porque quando finalmente as portas se abriram às novas oportunidades, atravessou-as corajosamente, deixando-as abertas para as mulheres que a seguiram. Um viva a você, amiga trabalhadora, porque humanizou os locais de trabalho e teve a coragem de se rebelar contra o assédio sexual. Reivindicou horários mais flexíveis, creches para os filhos e licença-maternidade.

A igualdade precisa de exemplos, e você, mulher, que eu tanto respeito e admiro, será a conquistadora vitoriosa da virada do século. Não se desespere se os tribunais não a protegem. É a espantosa eficiência feminina que os enfurece agora. Mas a história nunca recuou e os reacionários jamais tiveram seus nomes lembrados para a posteridade.  Alguém se lembra dos homens que lutaram contra o direito ao voto da mulher? Nós conhecemos e reverenciamos apenas as mulheres que trabalharam para conquistar esse direito. Suas heras são espíritos lutadores: Elizabeth Cady, que há cem anos lutou pelo direito da mulher em ter os próprios rendimentos; Suzan B. Anthony, incansável na luta pelo direito ao voto da mulher; Alice Paul, criadora da Emenda da Igualdade de Direitos, que até hoje não se transformou em lei.

Sua campanha perseverante, junto a empresários e governantes, contra a exploração de mulheres e crianças nos locais de trabalho ajudou a abrir mentes e a conscientizar a coletividade no sentido de aceitar as mulheres como trabalhadoras capazes. Você quebrou o gelo! Mas ainda não atingiu o seu objetivo. Vivemos a Era da Informação e este é o momento de agir, amiga! Já se percebe que algumas profissões estão ficando ultrapassadas enquanto outras estão nascendo. O mercado financeiro está mudando; seu cérebro e sua força de vontade são mais importantes do que a necessidade de humilhá-la e acuá-la com salários baixos e servidão. Hoje você compõe a maioria da população que trabalha. Você, companheira, tem minha admiração e minha gratidão. Obrigada por sua competência e perseverança.

Zsuzsanna Budapest in A Deusa no Escritório

Sim, nós merecemos todos os vivas que pudermos enumerar, mas como a autora do texto apontou, ainda não atingimos nossos objetivos e a nossa eficiência tem enfurecido os conservadores como nunca antes. Muito já conseguimos e muito ainda temos que lutar para conseguir.

No Brasil os patriarcas religiosos e seus representantes no Congresso, estão lutando para aprovar o Estatuto do Nascituro e outras leis que prejudicam as mulheres nos seus direitos reprodutivos.

Não podemos deixar que nossos direitos retrocedam. Este é o momento e essa a nossa hora, vamos?

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