Os horrores para as mulheres no mundo “moderno” do capitalismo global

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O 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, está este ano a ser celebrado de uma forma revolucionária em vários países, incluindo uma marcha europeia em Bruxelas (que se inicia às 13 horas frente à embaixada dos EUA), em várias cidades dos EUA e noutros lugares. O seguinte texto é extraído da edição datada de 9 de Março do Revolution, órgão do Partido Comunista Revolucionário dos EUA (www.revcom.us).

É esta a situação das mulheres no actual mundo “moderno” do capitalismo global:

● O tráfico sexual atravessa todo o planeta. Em cada ano, centenas de milhares de mulheres são raptadas, coagidas, compradas e vendidas para a escravidão sexual.

● Na Índia, há 400 a 500 mil crianças prostitutas. Na Tailândia, 800 mil crianças e adolescentes foram forçadas a prostituírem-se.

● Nos EUA, em cada dia, quatro mulheres são assassinadas pelos maridos ou namorados.

● Nos EUA, em cada ano, pelo menos dois a quatro milhões de mulheres são espancadas. Em cada ano, cerca de 132 mil mulheres dizem ter sido vítimas de violação ou tentativa de violação. Um número estimado entre 2 a 6 vezes mais mulheres são violadas, mas não apresenta queixa.

● Milhões de mulheres em todo o mundo, nas fábricas, nas sex shops ou nas suas próprias casas são abusadas e aviltadas – tratadas como mercadorias que se vendem e se comprem. Milhões de mulheres são consideradas propriedade privada e controladas como bens e não como seres humanos.

Os EUA dependem e apoiam-se nas classes feudais retrógradas para imporem as condições sociais e políticas necessárias ao seu domínio imperialista. E o imperialismo incorpora as relações feudais mais retrógradas e opressivas nas suas estruturas de domínio e exploração. Isto é um pesadelo para as mulheres, porque ocorre o seguinte fenómeno perverso: mulheres camponesas que trabalham em fábricas de exploração de alta tecnologia; mulheres educadas que se sujeitam a casamentos arranjados; anúncios reluzentes que promovem saltos altos, cirurgia plástica e maquilhagem ao mesmo tempo que tradições feudais retrógradas impõem às mulheres que cubram os seus corpos da cabeça aos dedos dos pés.

No Iraque, sob ocupação norte-americana, milícias xiitas, autorizadas pelos EUA, patrulham as ruas das principais cidades do Iraque e atacam as mulheres que não se vestem ou não se comportam ao seu gosto. Segundo os relatos oficiais, em Bassorá, a segunda maior cidade do Iraque, o ano passado foram mortas e mutiladas 133 mulheres e os seus corpos foram despejados em caixotes do lixo com bilhetes a avisar os outros contra a “violação dos ensinamentos islâmicos”. Os motoristas de ambulâncias contratados para conduzirem de manhã cedo pelas ruas da cidade e recolherem os corpos dizem que os verdadeiros números são muito mais elevados.

Em 2007, Du’a Khalil Aswad, uma rapariga de 17 anos que vivia no Curdistão iraquiano, foi espancada e apedrejada até à morte por uma turba de homens fanáticos – familiares e vizinhos que levavam a cabo aquilo a que se chama de “morte de honra”. Du’a foi morta por se ter apaixonado por alguém que a sua comunidade não aprovava.

No Iraque, as mulheres violadas são consideradas uma vergonha para as suas famílias. Mais de metade das 400 violações registradas desde a invasão norte-americana resultaram em que as sobreviventes das violações foram assassinadas pelas suas famílias. Essas “mortes de honra” aumentaram com a ocupação norte-americana. E são comuns nos países do terceiro mundo.

Por trás destas horríveis práticas antimulher estão hábitos e relações de propriedade semelhantes aos que existem na actual sociedade norte-americana. Aqui, elas são chamadas “crimes de paixão” em que as sentenças não se baseiam no crime mas nos “sentimentos” (ou no que pode ser descrito como “honra masculina”) dos acusados. Em 1999, um juiz do Texas condenou um homem a quatro meses de prisão por ter assassinado a esposa e ferido o amante dela à frente do seu filho de 10 anos. O que é isto senão uma versão norte-americana de uma “morte de honra” que foi depois aprovada pelo estado?

A violência contra as mulheres, as violações e a prostituição são geradas e promovidas pelas relações de supremacia masculina incrustadas na estrutura das forças armadas imperialistas norte-americanas. É conhecida a horrível história de Abeer Hamza, uma rapariga iraquiana de 14 anos que foi violada por soldados norte-americanos. Abeer, em conjunto com a sua irmã e os seus pais, foram mortos e a sua casa foi completamente incendiada para encobrir o crime.

Os abusos sexuais e a violação não só são praticados contra os povos dos países ocupados mas também dentro das forças armadas norte-americanas. Mais de metade das mulheres na Guarda Nacional de Reserva foi alvo de violação, agressão sexual ou assédio sexual durante o seu tempo no activo. Apenas 2-3% dos transgressores sofrem uma acção disciplinar tão severa quanto ser presentes a um tribunal marcial. Normalmente, os transgressores recebem apenas uma palmadinha moderada no pulso, por exemplo, um serviço extra ou uma carta de repreensão.

Nos Estados Unidos, as pessoas são constantemente bombardeadas com anúncios, na televisão e no cinema, em que as mulheres são retratadas como pouco mais que objectos cujo “sex appeal” é usado para vender de tudo, de carros a vídeos musicais. O que é que acontece às mulheres e aos homens quando esses materiais surgem constantemente à sua frente? Será de admirar que tantas mulheres sofram de desarranjos alimentares ou sintam que têm que fazer cirurgia plástica ou que os corpos das mulheres sejam tratados como propriedade privada pelos homens que elas amam?

Que tipo de sociedade é esta em que expressões de desprezo como c*bra, c*na e p*ta sejam sinónimos de mulher? Ou em que as mulheres não podem sair à noite com medo de serem violadas?

Há fundamentalistas cristãos antimulher que pensam e praticam – com uma promoção e imposição oficial que vão desde o Supremo Tribunal e da Casa Branca para baixo. Os fascistas cristãos, uma força poderosa na classe dominante norte-americana, querem impor uma visão literal da Bíblia que implica que as mulheres sejam tratadas como seres inferiores, servas dos homens, propriedade privada.

Essas pessoas não são simplesmente loucas. Os “valores familiares” são palavras de ordem de Democratas e Republicanos. Porquê? Todas essas várias forças da classe dominante reconhecem o perigo colocado ao sistema capitalista/imperialista por qualquer enfraquecimento da “moralidade tradicional”, incluindo o seu papel na opressão das mulheres.

O direito ao aborto tem sido sistematicamente corroído nos EUA, do Supremo Tribunal para baixo – ao mesmo tempo que filmes da moda como Juno enchem as cabeças das jovens com a mentira anticientífica de que “um feto é um bebé” e que “o aborto é um assassinato”. Todos os anos, uma em cada cinco clínicas são alvo de uma extrema violência anti-aborto como atentados bombistas, fogos postos e ameaças de morte. E todos os principais grupos anti-aborto deste país também se opõem à contracepção. Isto tem a ver com o controlo dos corpos e da reprodução das mulheres.

Que tipo de mundo é este em que quanto mais riqueza é criada e mais o mundo é transformado numa única entidade global, em vez do progresso humano, o resultado é uma maior tragédia para milhões de pessoas? Que tipo de mundo é este em que cada vez mais se diz às mulheres que a sua única escolha – se é que têm alguma – é entre o pesadelo feudal encarnado pelas tradições de todas as principais religiões ou uma versão mercantilizada da libertação tipo “Sexo na Cidade” em que têm “autonomia” para se comercializarem a si próprias – como uma mercadoria num mundo ainda baseado na subordinação, humilhação e brutalização diárias de metade da humanidade? A resposta é um mundo ainda dominado pelo capitalismo e pelo imperialismo.

A opressão das mulheres desenvolveu-se em conjunto com a divisão da sociedade em classes e com o surgimento da propriedade privada e da exploração. Nestas condições, o que foi uma divisão mais ou menos espontânea do trabalho entre os sexos foi transformada em opressão e dominação. E, embora essas relações sociais tenham sofrido alterações ao longo dos anos, a dinâmica da opressão das mulheres está profundamente enraizada no tecido da actual sociedade de classes, reforçando e sendo reforçada por outras formas de opressão.

A horrível opressão das mulheres em todo o planeta é completamente desnecessária – as coisas não têm que ser assim. E a única razão porque são assim são as relações económicas e sociais constantemente geradas pela sociedade de classes, por todo um sistema que apenas pode funcionar explorando e oprimindo a vasta maioria da humanidade.

A humanidade precisa da revolução e do comunismo. Precisamos de uma sociedade socialista em que as massas populares sejam verdadeiramente mobilizadas para pensarem e trabalharem em conjunto, para destruirmos todas as relações económicas e sociais da sociedade de classes, transformarmos o mundo e a nós próprios e obtermos a libertação de todas as formas de opressão, incluindo a opressão das mulheres.

Reproduzido do Serviço Noticioso da revista Um Mundo A Ganhar: www.aworldtowin.org
Subscrição em inglês: http://uk.groups.yahoo.com/group/AWorldToWinNewsService/
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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. tuxedosam
    ago 18, 2011 @ 01:25:36

    mais uma vez caí no seu blog procurando por atigos feministas sérios na web ^_^…e vi no blog da Jana este trecho também…o que é isso,um livro? Vc tem em pdf? onde posso achar?

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