Eu agradeço por ter compreendido do que a pornografia se trata na primeira vez que assisti a um filme porno. Fiquei excitada, lógico, mas era uma excitação amarga pelo conteúdo do que eu estava assistindo: uma mulher sendo usada e abusada. Assisti outros filmes depois daquele, por curiosidade, para ver se tinha algum diferente e nada. O desconforto era sempre o mesmo. E daí para não querer mais aquilo para mim, fui um pulo. Não me faz falta. Uma das razões que atribuo para não ter aceito a pornografia como uma forma legítima de expressão da sexualidade, foi o fato de ter tido contato muito tarde para os padrões atuais. Isso possibilitou que mesmo tendo ficado excitada, eu pudesse filtrar o que estava vendo e conseguir identificar a violência, o desprezo pelas mulheres, a submissão e a inferioridade a que a mulher do filme estava sendo submetida e simbolicamente todas nós. Se não, talvez eu tivesse apenas ficado excitada, teria gostado e achado que aquilo era normal e representava o que o sexo deveria ser. Hoje, as crianças e adolescentes tem acesso livre a todo tipo de pornografia, sem ter desenvolvido sua personalidade e seu senso crítico e acabam encarando a pornografia como algo normal. E se tornando consumidores, alguns compulsivos.
Já assisti porno ‘feminino’ também, porque li entrevistas com as diretoras desses filmes e disseram que estavam propondo uma nova forma de pornografia. Vi e conclui que nada mais é do que o velho porno soft de sempre. Dispenso também. E hoje eu tembém agradeço a minha experiencia negativa com a pornografia, porque sei que se trata da exploração sexual de seres humanos. Eu não vou me permitir me excitar com isso.
Da minha perspectiva de ser humano mulher, eu realmente não entendo o porquê de eu precisar da pornografia para viver a minha sexualidade satisfatoriamente, ainda mais do jeito que as mulheres são tratadas nos filmes. Aliás, eu não preciso nem para me masturbar. Como mulher e mãe de uma menina não desejo que eu, nem minha filha e nem filhas de outras mulheres estejam engajadas na prostituição e na prostituição da pornografia. Se eu como mulher, não desejo isso para mim, porque vou achar tolerável e aceitável para outras?
Eu seria incoerente com minha condição de mulher e feminista se concordasse que é libertário e empoderador , uma mulher explorando mulheres na pornografia. Só o fato de saber que mulheres e crianças traficadas são forçadas à pornografia e prostituição, já é motivo suficiente para que eu seja contra.
Tentar subverter a pornografia ao feminismo nada mais é do que tentar tornar as premissas de inferioridade, autoridade patriarcal e submissão femininas mais palatáveis às mulheres. Ou seja, não se muda nada, apenas se adapta e a dominação continua a mesma. As diretoras de porno “femininista” nada mais estão do que adicionando mais um tijolinho na manutenção do patriarcado e fazendo isso ás custas da exploração de outras mulheres. Isso pra mim tem nome: CAFETINAS.
A estética da submissão num filme porno feminino: mulher algemada
Como alguém pode se dizer feminista, como essas diretoras (sic) e ainda estar explorando o corpo e sexualidade de outras mulheres pelo lucro? ‘Feminismo’ capitalista pornográfico da industria do sexo pela ‘liberação’ das mulheres? Blé… Liberação nos moldes patriarcais, com certeza.
Mulher diretora de filmes pornos = feitora de mulheres no patriarcado capitalista da industria pornográfica.
Mulheres diretoras de filmes pornos = mulheres a serviço da manutenção da exploração sexual de outras mulheres.
Mulheres diretoras de filmes pornos = mulheres que apoiam todo tipo de pornografia, uma vez que estão lucrando com a mesma, atendendo a um nicho especifico do mercado.
Porque você paga, existe a exploração sexual de mulheres, crianças e adolescentes na prostituição. Pelo Fim Da Violencia Contra Mulher
Porque você assiste, existe a exploração sexual de seres humanos, principalmente mulheres, na pornografia. Pelo Fim Da Violencia Contra Mulher
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