Saltos, se incomodam porque usamos?

Deixam a silhueta da mulher, segundo dizem mais bonita, são fetiches para os homens e alongam o corpo e aumentam a altura das mulheres, porém pagamos um preço por usá-los. Nesta matéria são elencados os piores sapatos para as mulheres: http://migre.me/2MdZd

Os piores sapatos são os que são desconfortáveis, lógico,  mas existem formatos de sapatos que aumentam esse desconforto.

Fato: rasteirinhas não servem para andar muito mesmo. Eu digo por experiência própria. As calçadas castigam a sola dos pés quando se anda com elas. Mas rasteirinhas não são consideradas sapatos que embelezem as mulheres.

Fato: sim, saltos altos machucam e se vierem acompanhados de bico fino e salto agulha é um desastre para os maltratados pés.

O médico ortopedista Márcio Cruz Dias diz que as mulheres têm pouca consciência do que estão usando e querem saber mesmo é da estética. “Além disso, o mercado dos calçados não tem preocupação com a saúde dos pés. A moda em primeiro lugar”, analisa.

Se sapatos altos causam problemas e desconforto, porque mulheres ainda os usam? Porque fomos condicionadas a acreditar que saltos altos são mais um item que temos a cumprir para nos enquadrar dentro do papel da feminilidade. Nem questionamos se é natural ou não. Partimos alegremente para o salto alto, as roupas apertadas, a maquiagem, os decotes, a chapinha, a depilação e tudo aquilo que nos faz sentir femininas e merecedoras da consideração e atração masculina. Mulheres são treinadas para o sacrifício pessoal em todas as áreas de suas vidas. E nos nossos corpos, está inscrito que para sermos bonitas e atraentes o sacrifício é uma regra e que nos trará uma recompensa valiosa: o olhar masculino. Uma pesquisa aponta:

“…realizada com mais de três mil pessoas, dentre elas homens e mulheres, e foram analisados os sapatos que elas usavam no passado e nos dias atuais. Os participantes do trabalho estavam na faixa etária média de 66 anos. E as conclusões foram surpreendentes, as mulheres que usaram calçados considerados confortáveis,como sandálias baixas, sem salto, tênis ou sapatos esportivos durante a juventude sentiam bem menos dores nos pés na idade mais avançada, a redução foi em mais da metade. As que utilizavam sapatos medianamente confortáveis, como os de sola dura, de sola de borracha ou sem mobilidade eram a minoria. E as que abusaram do salto alto, das sandálias apertadas e chinelos que não proporcionavam nenhuma segurança no andar eram a maioria. E neste grupo estavam as que mais reclamavam de dores nas pernas, na parte de trás do pé, no tornozelo, joelhos e no tendão de Aquiles.

A autora da pesquisa, Alyssa Dufour, que publicou os dados no jornal americano Arthritis Care & Research, afirma que as mulheres precisam prestar atenção na escolha dos sapatos, como estão calçando e ter a sensibilidade do produto nos pés.

Segundo Alyssa os homens são mais cautelosos na compra dos sapatos e mais seletivos, porque apenas 2% deles usavam sapatos ruins para seus pés.

É claro que os sapatos são só mais um item nessa história da feminilidade, mas com certeza, fica claro que só as mulheres estão nessa de sacrifícios e dores para cultivarem a beleza tão valorizada, porque segundo o texto acima, apenas 2% dos homens abrem mão do conforto na hora de comprar um sapato, enquanto nós mulheres em uma e outra ocasião, e ás vezes até por questõe profissionais, temos que usá-los.

O andar é simbólico. Mobilidade é sinônimo de liberdade e de tomada de decisões quanto a rumos, estradas, caminhos que queremos seguir. E  sapatos altos, apertados, que causam dores e desconforto tolhem nossa liberdade de ir e vir. Nós mulheres sabemos o quanto dói ficar em pé muito tempo num salto, ou tentar correr ou andar mais rápido em cima de um. Saltos nos treinam para a imobilidade, pois sentar e ficar parada pode ser o mais confortável que chegaremos perto ao usar um sapato alto. Nossa mente se condiciona a que o melhor é não nos mover muito quando o usamos e mesmo aqueles com plataforma e que segundo dizem, são os melhores porque  o impacto sobre os dedos é menor, exigem que nos concentremos inconscientemente em manter o equilíbrio em cima deles. Todo um trabalho de naturalização para aceitar a dificuldade de se mover  é feito em nossa mente e em última instancia o que se procura é dificultar nossa capacidade de locomoção. Acreditar que salto é apenas uma questão de beleza, é ingênuo. Os chineses não amarravam e deformavam os pés de suas mulheres apenas por questões estéticas.


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