É mais perigoso ser uma mulher do que um soldado

Em 2008, durante a conferência sobre on “Women Targeted by Armed Conflict: What Role for Military Peacekeepers?”, major-general aposentado  Patrick Cammaert, disse: “Provavelmente se tornou mais perigoso ser uma mulher do que um soldado em conflitos armados.”

A razão disso não é uma conspiração misógina global por parte das forças organizadas. A verdade é muito mais simples: mais do que nunca, os conflitos armados não só afetam, mas diretamente civis são os alvos.

Aqueles que assistiram a The War You Don’t See, puderam notar isso quando Pilger relatou o aumento de vítimas civis, a partir de 10% na Primeira Guerra Mundial a 90% na Guerra do Iraque.

Para as mulheres estas estatísticas representam algo muito mais assustador. Entre as populações civis que vivem dentro de conflitos armados, as mulheres são ameaçadas por uma razão muito específica – porque são mulheres.

Um artigo de 2008 escrito por Rosemary Bechler no site OpenDemocracy confirma  isso com exemplos:

“Prisioneiros combatentes do sexo masculino também são submetidos a torturas sexuais e terror, mas as mulheres e meninas são a maioria de civis destinadas para esta forma particular de atrocidade, em uma escala assustadora: três em cada quatro mulheres em partes das províncias do Kivu do Leste da República Democrática do Congo, e 90% de todas as mulheres com idade acima de três anos na Libéria; até 50% de mulheres e meninas em Serra Leoa “

Você pode querer, como eu, olhar para as estatísticas, e notar que o menor representa 50% – metade da população – enquanto os mais altos falam de 90% – quase todas as mulheres na área.

As mulheres também são desproporcionadamente afetadas durante o conflito de outras maneiras. Como principais prestadoras de cuidados, são as que mais sofrem com a destruição dos serviços médicos e assistenciais.

Se se tornam  viúvas, como resultado dos conflitos, as mulheres encontram-se frente a uma morte social, muitas vezes expulsas de seus lares e comunidades.

Além disso, a ausência de mulheres de processos de paz significa que o fim do conflito não significa o fim da violência contra as mulheres. Durante as negociações de paz, não é incomum os direitos das mulheres serem negociados como moeda de barganha.

Foi por causa destes perigos para as mulheres nos conflitos armados e à exclusão rotineira delas na construção da paz que há 10 anos, a ONU aprovou a inovadora Resolução 1325. Ela reconhece o impacto devastador dos conflitos nas mulheres e afirma que elas devem ser envolvidas na construção da paz.

“A Resolução 1325 é, em princípio, extraordinária”, disse Natalie Sharples, Campaigns and Outreach Officer for the No Women, No Peace campaign.

“Mas sua clara falta de aplicação significa que seu impacto não está sendo sentido pelas mulheres. Precisamos urgentemente de uma vontade política renovada e, claro, a ação, para seguir em frente. “

É essa necessidade de ação que levou o inovador Gender Action for Peace and Security network (GAPS)  a lançar uma nova petição, como parte de sua No Women, No Peace campaign.

A petição pede que Lynne Featherstone, em seu novo cargo como defensora da luta internacional sobre Violência Contra a Mulher, para tornar 1325 o seu “New Year’s Resolution”, em nome das mulheres afetadas pela violência da guerra de ocupação e conflitos em todo o mundo.

A petição insta Lynne Featherstone centralizar  o seu trabalho na implementação da Resolução 1325, e para aumentar a utilização deste importante instrumento para envolver as mulheres na construção da paz.

WVoN tem o prazer de apoiar No Women, No Peace campaign.

E como se aproxima o Natal, nós pedimos para você assinar a petição online. Você também pode baixar uma folha de petição ou nowomennopeace@gaps-uk.org e-mail para cópias, se você acha que pode ajudar a recolher assinaturas.

A petição será apresentada a Lynne Featherstone no final de janeiro de 2011. Saiba mais sobre as No Women, No Peace campaign e cadastre-se às suas ações na http://www.nowomennopeace.org/ .

http://www.womensviewsonnews.org/wvon/2010/12/its-more-dangerous-to-be-a-woman-than-a-soldier/

Tradução Arttemia Arktos

1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Luka
    dez 28, 2010 @ 16:32:27

    É duro encarar que em situações de conflito em geral quem mais sai perdendo somos nós mulheres, seja numa ocupação militar ou até mesmo em ações da própria polícia dos países.

%d blogueiros gostam disto: