Mais uma vítima de aborto inseguro


O corpo de uma jovem de 19 anos, Marielly Barbosa Rodrigues foi encontrado e laudo aponta que morreu em virtude de um aborto inseguro.

Leia a notícia aqui e matéria sobre o caso aqui.

“95% dos abortos inseguros são realizados na América Latina, onde a Igreja e os grupos fundamentalistas impulsionam campanhas reacionárias não só contra a legalização do aborto, mas também contra a educação sexual e a anticoncepção gratuita, a ponto de haverem imposto, com o aval não só dos políticos direitistas e clericais, mas também daqueles que se apresentam como “progressistas” – a penalização do aborto em países onde antes era legal, como é o caso da Nicarágua.”

Neste vídeo, vemos a então candidata Dilma defendendo aquilo que qualquer pessoa racional, defenderia: o aborto é uma questão de saúde pública e o estado não pode se eximir de prestar auxílio a mulheres que optam por ele.

Essa fala da presidenta Dilma ficou cada vez mais distante de se realizar. Seu governo cria a Rede Cegonha (leia aqui, uma crítica a esse programa) mas não se importa em assistir e muito menos garantir o direito das mulheres que não querem levar uma gravidez adiante. Governos anteriores não se empenharam para que fosse criada uma lei que assegurasse às mulheres acesso a um aborto seguro, até o terceiro mês de gestação para aquelas que manifestam o desejo de interromper a gravidez. E o governo da primeira mulher presidente está indo pelo mesmo caminho. Preferem tod@s ignorar o problema e acreditar que mortes como a de Marielly sejam apenas mais uma fatalidade. Fatalidade essa que poderia ter sido evitada, se a moça pudesse se dirigir a uma clínica do governo para realizar o procedimento em total segurança, como já é feito em Portugal, um país de maioria católica:

“O processo é relativamente simples, uma mulher só tem que se dirigir a um hospital ou a um posto de saúde e dizer que quer fazer um aborto. Primeiro terá que ir a uma consulta prévia onde fará um breve exame médico e será informada sobre os métodos de aborto. Nessa consulta lhe é oferecido aconselhamento psicológico que ela poderá aceitar ou não. Depois seguem-se três dias de reflexão obrigatória após os quais o aborto poderá ser realizado se for comprovado por ultrassom que a gravidez tem menos de 10 semanas.”
 

Embora esse vídeo tenha sido usado contra a  então candidata pelos mesmos setores que agora lutam contra o PLC122, vemos que em nome da eleição a presidenta Dilma teve que sacrificar suas convicções para atender aos aliados conservadores e das igrejas catolica e evangélicas, exatemente como fez recentemente, quando suspendeu o Kit anti-homofobia declarando que o fazia porque “não é admissível se fazer propaganda de opção sexual”. Rifam o direito das mulheres e também os direitos dos LGBT para agradar os setores conservadores e religiosos da sociedade.

A família dessa moça não precisaria estar passando por esse luto, se @s polític@s brasileir@s não colocassem seus interesses acima da dignidade da mulher. O triste disso tudo é que ainda muitas Mariellys serão sacrificadas no Brasil. Até quando?

Videodocumentário sobre aborto no Brasil:

Islândia: o país mais feminista do mundo


Uma amiga me mandou essa ótima reportagem sobre a Islândia:

A Islândia está rapidamente se tornando um líder mundial no feminismo. Uma pequena ilha pertencente ao continente europeu com uma população de 320.000 habitantes, que está à beira de alcançar o que muitos consideravam impossível: fechar a indústria do sexo.

Enquanto ativistas na Grã-Bretanha na batalha na tentativa de regular os clubes lap-dance – cujo número tem crescido a um ritmo alarmante na última década – a Islândia aprovou uma lei que encerrará as atividades dos clubes de strip no país, bem como a contratação de garçonetes topless: a lei, que foi aprovada sem votos contra e apenas duas abstenções, irá torná-lo ilegal qualquer negócio que lucre com a nudez de seus empregados.

Ainda mais impressionante: o Estado nórdico é o primeiro país no mundo a proibir o tráfico e lap-dancing por razões feministas, e não religiosas. Kolbrún Halldórsdóttir, a ministra que propôs a proibição, com firmeza, disse à imprensa nacional no dia 24 de março: “Não é aceitável que as mulheres ou as pessoas em geral virem um produto a ser vendido”. Quando perguntada se acha que a Islândia se tornou o país mais avançado nas causas feministas do mundo, ela respondeu: “Certamente estamos lá em cima. Principalmente com os resultados dos grupos feministas que vem colocando pressão sobre os parlamentares. Essas mulheres trabalham 24 horas por dia, sete dias por semana com as suas campanhas e, eventualmente, filtros para toda a sociedade”.

A notícia é um verdadeiro impulso para as feministas de todo o mundo, mostrando que quando um país inteiro se une por trás de uma idéia qualquer coisa pode acontecer. Segundo a polícia islandesa, 100 mulheres estrangeiras viajam para o país anualmente para trabalhar em clubes de strip. Não está claro se as mulheres são traficadas, mas os grupos feministas dizem que a indústria de tráfico tem crescido, mas não o número de mulheres islandesas querendo trabalhar com isso. Os defensores do projeto dizem que alguns dos clubes que são uma fachada para a prostituição – e que muitas das mulheres trabalham lá por causa do abuso de drogas e pobreza, em vez de livre escolha.

E como a Islândia consegue lidar com isso? Para começar, o país tem um movimento forte feminino e um elevado número de mulheres na política. Quase metade dos parlamentares são mulheres, e foi classificado em quarto lugar entre 130 países no índice internacional Gender Gap (atrás da Noruega, Finlândia e Suécia). Todos estes quatro países escandinavos, em certa medida, criminalizaram a indústria do sexo (legislação que o Reino Unido irá adotar no dia 1 de Abril). “Uma vez que você quebra esse teto de vidro do passado,  e tem mais de um terço de mulheres na política”, diz Halldórsdóttir, “muda alguma coisa. Essa energia feminista parece permear tudo.”

Johanna Sigurðardóttir é a primeira mulher, na Islândia e no mundo, a chefiar um estado e ser assumidamente lésbica.  A Primeira-Ministra participa de campanhas contra a violência sexual,  estupro e a violência doméstica: Johanna é uma grande feminista que desafia os homens de seu partido, e recusa sentir-se oprimida por eles.

Depois, há o fato de que as feministas na Islândia parecem ser inteiramente unidas na oposição à prostituição, ao contrário do Reino Unido, onde debates acalorados sobre a  prostituição e lap-dancing são degradantes para as mulheres. Há também o apoio do público: a proibição da atividade sexual comercial, não só é suportado pelas feministas, mas também grande parte da população. Uma pesquisa de 2007 descobriu que 82% das mulheres e 57% dos homens apoiam a criminalização de pagar por sexo – ou em prostíbulos ou clubes de lap-dance – e menos de 10% dos islandeses se opunham.

Jónsdóttir diz que a proibição pode significar a morte da indústria do sexo. ”No ano passado, aprovamos uma lei contra a compra de sexo, introduzimos recentemente um plano de ação sobre o tráfico de mulheres, e agora temos que fechar a clubes de strip. Os países nórdicos estão liderando o caminho para a igualdade das mulheres, reconhecendo as mulheres como cidadãos iguais e não de mercadorias para venda”.

Proprietário de clubes de strip, não surpreendentemente, estão furioso com a nova lei. Em uma entrevista a um jornal local no qual ele comparou a abordagem da Islândia para que um país como a Arábia Saudita, onde não é permitido ver qualquer parte do corpo de uma mulher em público. Um proprietário diz: “Cheguei à idade em que eu não tenho certeza se quero preocupar-me com este incômodo mais”.

Janice Raymond, diretora da Coalizão Contra o Tráfico de Mulheres, espera que todos os especuladores da indústria do sexo se sintam da mesma forma, e acredita que a nova lei irá pavimentar o caminho para governos de outros países a segui-la. ”Uma vitória não apenas para os islandeses, mas para todo o mundo, todos os que repudiam a exploração sexual das mulheres”, diz ela.

Jónsdóttir está confiante de que a lei vai criar uma mudança de atitudes em relação às mulheres. ”Eu acho que os homens da Islândia, apenas terão de se acostumar com a idéia de que as mulheres não estão à venda.”

http://www.guardian.co.uk/lifeandstyle/2010/mar/25/iceland-most-feminist-country

In http://paradalesbica.com.br/2010/04/islandia-o-pais-mais-feminista-do-mundo/

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