Mitos e fatos sobre violência sexual


‘“cultura do estupro”, que quer dizer a cultura em que as mulheres estão sendo constantemente ameaçadas de estupro e relações sexuais normais são deformadas para que os homens procurando mulheres para estuprar seja considerado a norma. Cultura do estupro é uma cultura em que homens são encorajados a tomar sexo de suas parceiras independentemente de consentimento e as mulheres a serem objetos sexuais passivos para estes homens. Mulheres são valorizadas por nada além de sua capacidade de serem adequados brinquedos de foder  para homens no comando.”

MITO: A principal motivação para o estupro é sexo.
FATO: A motivação para o estupro é agressão e poder, e não sexo. Estupradores têm um desejo de dominar, humilhar e degradar as suas vítimas. Estupro não é o resultado de desejo sexual reprimido, pois muitos estupradores relatam que não desfrutam do ato sexual em si, durante o estupro. Na verdade, a maioria dos agressores têm acesso a relações sexuais com um cônjuge ou parceiro.

MITO: As pessoas são vítimas de violência sexual porque “pedem por isso” de alguma forma.
FATO: As tentativas de transferir o fardo da culpa do agressor para a vítima/sobrevivente implicando que “ela/ele pediu por isso” são comuns. Não há nada que uma pessoa faça ou deixe de fazer para “merecer” uma agressão sexual – a maneira como uma pessoa se veste, a quantidade de consumo de álcool, ou seu histórico sexual são freqüentemente usados como desculpas para justificar o comportamento do estuprador. Culpando a vítima/sobrevivente, a atenção é direcionada para longe do estuprador, diminuindo a responsabilidade do agressor pelo ataque. Culpar uma pessoa pelo estupro que sofre  por causa de seu comportamento ou o que usa é como culpar um banco por ser assaltado, por ter “tentado” o ladrão com todo aquele dinheiro.

MITO: Uma pessoa quase sempre pode  impedir um estupro, resistindo ao agressor.
FATO: Cada agressão sexual é única e a questão da resistência e submissão deve ser avaliada  individualmente. Resistência poderia deter um ataque ou poderia presumivelmente aumentar as chances de uma lesão e, talvez, resultar em morte. A vítima/sobrevivente precisa fazer o que quer que elas se sintam confortáveis a fazer para livrar a si mesmas da situação. A pessoa deve confiar em seus instintos e tudo o que fizer é correto para ela naquele momento. Mesmo que a pessoa se submeta, isso não significa um consentimento, de fato, pode significar a diferença entre viver ou morrer.

MITO: Muitas pessoas falsamente relatam um estupro como forma de vingança ou para obter atenção.
FATO: Denúncias de estupros são verdadeiras, com muito poucas exceções. A taxa de “falsas denúncias” de estupro (histórias inventadas) é de 2% a 3%, não sendo diferente da de outros crimes. (Schafran, L.H. (1993). “Writing and reading about rape: A primer.” St. John’s Law Review, 66, 979-1045). A concepção generalizada de uma suposta alta taxa de denúncias falsas de estupro pode ser relacionada com a observação sobre os baixos índices de condenação para os estupradores.

MITO: Os estupradores são facilmente identificáveis por sua aparência física, ações ou palavras.
FATO: Não existe um perfil padrão físico ou mental que defina um estuprador. Um estuprador pode ser alguém de qualquer idade, raça, situação econômica, sistema de crença ou cultura. Embora o estereótipo do estuprador como um estranho mentalmente perturbado seja a crença na nossa sociedade, estupros por pessoas que a vítima não conhece representam apenas cerca de 20% de todas as violências sexuais e, mesmo assim, o estranho que estupra pode não ser uma pessoa mentalmente perturbada. A grande maioria dos estupradores são pessoas que a  vítima/sobrevivente conhece, pessoas que ela/ele vê no dia-a-dia.

MITO: Mulheres devem sexo para os homens em algumas circunstâncias.
FATO: O sexo não é uma mercadoria a ser comprada e vendida, nem ninguém é dono da sexualidade alheia. Em vez disso, deveríamos ter a liberdade de fazer escolhas sexuais, independentemente das circunstâncias. Pagar um jantar  ou um cinema não dá a alguém o direito de exigir sexo como reembolso, nem ninguém deve se sentir obrigada a fazer sexo por causa disso.

MITO: Apenas pessoas jovens ou bonitas são agredidas sexualmente.
FATO: Vítimas/sobreviventes de um estupro variam de alguns meses a 90 anos de idade e de todas as formas, tamanhos e raças. Estupradores tendem a escolher vítimas pela percepção de sua vulnerabilidade e disponibilidade, sem levar em conta a aparência física. Atribuir o estupro a uma atratividade da vítima/sobrevivente perpetua o mito de que o estupro é principalmente motivado pelo desejo sexual. Este mito coloca de forma inadequada a culpa e a responsabilidade sobre a vítima/sobrevivente por causa de seus atributos físicos.

MITO: Quando uma mulher diz “não”,  ela na verdade quer dizer “sim”.
FATO: Este mito é comum em situações de encontro/namoro. Quando uma pessoa diz “não”, o parceiro deve assumir que isso significa nada além de um “não”. Também é vital ressaltar que se uma pessoa não explicíta seu consentimento ao  ato sexual, na forma de um sim ou expressões semelhantes, isso quer dizer que a pessoa não está consentindo. No interesse da pessoa, silêncio deve ser tomado como um “não” ao invés de ser interpretado como consentimento. Estupro não é uma questão de falta de comunicação, mas a comunicação é vital em situações sexuais.

In Myths & Facts About Sexual Assaults

Tradução: Arttemia Arktos

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