Por que feminismo radical?


Porque os orgasmos dos homens não são mais importantes que:

bebês.
animais.
as mulheres.
sanidade.
direitos humanos.
objetos inanimados que os homens fetichizam.

Porque as mulheres não são:

matrizes de reprodução.
empregadas domésticas.
bonecas de prazer.
prostitutas felizes.
objetos.
vagabundas, vadias *.
sujas.
a raiz de todo mal.
sacos de pancada.
perfeitas vítimas de assassinato.
santas.
putas.

Porque a prostituição não é:

empoderador.
uma escolha.
uma maneira rápida e fácil de ganhar dinheiro.
um caminho mais fácil.
não traumatizante.
uma questão de consentimento.
um trabalho como qualquer outro.
bom para algumas mulheres.
trabalho.

Porque ser mulher não é redutível a:

O que veste.
os nossos penteados.
o que nós consumimos.
o tamanho do nosso corpo.
quão forte nós somos.
uma performance.
uma idéia na cabeça de um homem.
que tipo de veículo dirigimos.
se nós pintamos nossas unhas ou não.
se nós amamos as mulheres ou homens ou ambos ou nenhum.
estereótipos.

Porque as crianças não são:

trabalhadoras infantis do sexo.

Porque vítimas de tráfico sexual não são:

Profissionais do sexo migrantes.

* Nenhuma mulher é uma vadia, nem mesmo VOCÊ,  ‘vadia’ das marchas.

In Anti-porn Feminists

Tradução: Arttêmia Arktos

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Como as ações feministas e as ações antiprostituição estão realmente interligadas?


Veja, a maioria das que se declaram feministas são contra o que é frequentemente referido como “cultura do estupro”, que quer dizer a cultura em que as mulheres estão sendo constantemente ameaçadas de estupro e relações sexuais normais são deformadas para que os homens procurando mulheres para estuprar seja considerado a norma. Cultura do estupro é uma cultura em que homens são encorajados a tomar sexo de suas parceiras independentemente de consentimento e as mulheres a serem objetos sexuais passivos para estes homens. Mulheres são valorizadas por nada além de sua capacidade de serem adequados brinquedos de foder  para homens no comando.

Em uma cultura do estupro, se uma mulher tentar estabelecer seu próprio valor quando ela quiser, seja saindo vestida do modo que bem entender, à noite e indo a um boteco onde planeja beber sozinha, é ameaçada e mantida na linha com a possibilidade de um estupro. Em uma cultura do estupro, um homem é tratado como se sempre tivesse direito ao sexo quando e como ele quiser, com a implicação de que se alguém não lhe oferecer o que quer agora, ele vai e toma.

Prostituição é uma parte intrínseca desse sistema. É o dispositivo pelo qual homens dizem que na verdade, eles sempre tem o direito ao sexo e nunca deveriam ficar sem. É o paliativo que se oferece aos homens na esperança de que sua poderosa e inconveniente virilidade não estuprará a nós, mulheres indefesas. E esse paliativo é oferecido aos homens porque é impensável que eles sejam ensinados a não ser sádicos e odiar as mulheres na expressão de sua sexualidade.

Não só a prostituição apóia o “satisfaça-nos ou vamos estuprar você” enquanto aspecto da cultura patriarcal, como confirma a visão de mundo dos homens que acreditam que esta é a maneira correta de viver. Mulheres são objetos que você pode  comprar da mesma forma que você compra um tupperware. Mulheres são brinquedos de foder _ você pode até dizer-lhes isso e vão concordar (porque você paga). As mulheres sempre querem isso (porque você paga para que finjam isso também). É impossível estuprar algo que é menos do que plenamente humano e que sempre vai querer fazer sexo com você de qualquer maneira. Isso é o que os homens estão pagando para ser a regra quando saem com uma garota de programa, stripper ou qualquer uma que venda a ilusão de sexo.

Eles pagam para fingir que uma mulher nunca pode dizer não. E ainda imaginam que nenhuma mulher pode recusá-los quando  entram em seus carros para encontrar algumas universitárias para assediar. Eles pagam pelas mulheres para confirmar e em conformidade com a cultura patriarcal do estupro. A eliminação da indústria do sexo, eliminaria uma das maneiras em que a cultura do estupro se perpetua. A eliminação da indústria do sexo poderia e deveria ser o caminho feminista acordado para que as mulheres fossem tratadas como mais do que mercadoria e os homens entendessem que não é o fim do mundo, se eles não conseguem encontrar alguém para se envolver em sexo consensual com eles.

http://whyihatefunfaq.blogspot.com/2008/03/how-are-feminist-attitudes-and-anti-sex.html

Tradução:  Arttemia Arktos

Legalização da Prostituição ou Institucionalização da Escravatura Sexual?


Alfredo P Campos

Antes de mais, sou contra a legalização da prostituição porque sou contra a legalização da escravatura. A verdade é que, ao contrário do que alguns dizem, a prostituição não é uma escolha e muito menos a mais antiga profissão, é quando muito a mais antiga forma de exploração.

A relação de prostituição raramente se dá a dois; intervém na maioria dos casos, e interviria se esta fosse legal, uma terceira parte: o organizador e explorador da prostituição, o recrutador, o chulo e o proxeneta, o proprietário das casas, salões e quartos e toda a rede exploradora e esclavagista em que estes se inserem.

Acreditará alguém que a prostituta é uma menina rica que opta por vender o seu corpo? Não, salvo meia dúzia, a prostituta provém de bairros degradados, de casas sobrepovoadas, de famílias numerosas e pais alcoólicos, resulta da degradação económica e da segregação social. Sofreram maus tratos, fome abandonos e abusos, não foram queridas nem amadas.

A maioria das mulheres procura escapar à violência, à pobreza e à falta de oportunidades, mas uma vez sob o controle do chulo e do traficante de mulheres é mantida na prostituição por violência e coacção. A sujeição a inúmeros actos sexuais indesejados resulta em traumas físicos e psíquicos, a prostituta recorre a drogas e álcool para suportar as múltiplas invasões dos seus corpos, e assim enreda-se cada vez mais nas malhas do crime organizado.

Aos falsos modernistas que clamam o direito à escolha, lembro as emigrantes ilegais, colombianas, brasileiras, da ex-URSS e demais mulheres traficadas, pois é essa a palavra e não outra, lançadas nas mãos de chulos e proxenetas. Que escolha fizeram elas? Que escolha fizeram as crianças de 14 ou 15 anos que deambulam pelo Choupalinho à espera de cinco contos e uma hora de tormento que nem álcool nem drogas farão esquecer? Que escolha fez a toxicodependente que no Casal Ventoso vende o corpo por uma dose? Que escolha fizeram estas mulheres? Se se trata de uma escolha, por que estranho motivo a esmagadora maioria das mulheres que tem outra possibilidade não opta pela prostituição? Por um motivo simples, não precisam de a tal se submeter porque tiveram a hipótese de escolher; entretanto, à esmagadora maioria das prostitutas nenhuma opção foi dada, nenhuma escolha puderam fazer.

Falemos de legalização propriamente dita. Convém antes de mais lembrar que o exercício da prostituição não está criminalizado, a prostituta não está sujeita a qualquer tipo de pena por se prostituir. Quem está sujeito a perseguição criminal são os proxenetas, os que traficam as mulheres, que integram as redes de organizações criminosas, os que traficam a droga nas redes de prostituição, que branqueiam capitais, no fundo, aqueles que realmente beneficiariam desta suposta legalização. É assim pura demagogia falar de legalização da prostituição, o que se trata é de legalização do proxenetismo e da exploração sexual de mulheres. Ainda assim, por conveniência para o debate, continuarei a referir-me à questão como legalização da prostituição.

Muitos hipócritas argumentam a favor da legalização baseando-se na distinção entre prostituição livre e forçada, insinuando que existe escolha e que a forçada seria erradicada com a legalização. Tendo em conta a extrema exploração e opressão no mundo da prostituição, esta distinção serve na melhor das hipóteses para alimentar interessantes debates académicos como este. É uma distinção que nenhum significado tem para as mulheres sob o controle de chulos e traficantes. A industria sexual não distingue entre livre e forçado, o cliente também não e o proxeneta muito menos.

Aos que dizem que a legalização da prostituição contribuiria para a saúde pública, pois exigiria às prostitutas controlo médico diminuindo assim a propagação de doenças sexualmente transmissíveis, lembro que o sexo se faz a dois, pelo que existem dois veículos de propagação de doenças. Os clientes, os que as obrigam ao sexo inseguro para satisfação dos seus prazeres, esses não serão sujeitos a rastreio, pelo que também o argumento da saúde é falso. Claro que, supostamente, a prostituta pode recusar o sexo inseguro, mas se só encontrar clientes que recusem usar o preservativo, necessitando de dinheiro não irá ceder?

A legalização da prostituição, que é na verdade a legalização do chulo, abusador e explorador, significa que o estado impõe regulamentações que permitem que as mulheres possam ser prostituídas. Ou seja, que sob certas condições é permitido explorar e abusar de mulheres. Assim, a legalização não legitima socialmente a prostituta mas sim o proxeneta, não legitima a prostituição mas sim o abuso, a opressão, a exploração.

A legalização não acaba com a violência e a exploração, apenas legitima criminosos e membros de organizações criminosas como homens de negócios, trabalhando lado a lado com o Estado na venda de corpos de mulheres, cujos corpos devem pertencer apenas a elas próprias e não ser negociados ou vendidos. Na verdade, com a legalização também o Estado passará a lucrar com a exploração destas mulheres, cobrando impostos e afins; o Estado passará a trabalhar em parceria com aqueles que devia combater.

A quem brada que em democracia cada um tem o direito de fazer o que quer com o seu corpo, respondo que transformar a mulher numa mercadoria comercializável não é mais que uma subversão da democracia. Na verdade, duvido que uma mulher alguma vez tenha menos direito sobre o seu corpo do que quando se prostitui.

Analise-se um caso pratico, a Holanda. Aqui a prostituição foi legalizada numa tentativa de melhorar as condições de vida das prostitutas e combater o tráfico de mulheres e o proxenetismo. Todavia, os resultados põem em evidência as contradições na génese desta solução. Na Holanda, como na maior parte dos países, a maioria das prostitutas (60% no caso da Holanda) são emigrantes ilegais. Porque seriam presas e deportadas, estas não podem regulamentar a sua actividade, continuando prostitutas mas agora numa situação realmente de ilegalidade. Assim, o resultado da legalização foi a divisão do mundo da prostituição em dois, a prostituição legal e a ilegal. Todas aquelas prostitutas que não podem exercer a sua actividade de forma legal, nomeadamente as prostitutas ilegais, continuam obviamente a prostituir-se (ou, mais correctamente, a ser prostituídas) mas agora em condições muito mais degradantes do que anteriormente: precisam de se esconder, de se submeter aos tratos mais violentos e forçados, de se submeter ao sexo inseguro uma vez que os clientes dispostos a usar preservativo preferem as prostitutas legais. Devido à situação ainda mais precária em que se encontram disparou o consumo de álcool e drogas entre estas prostitutas agora ilegais e de forma alguma o tráfico de mulheres diminuiu. As apregoadas maravilhas da legalização da prostituição só são observáveis nas prostitutas dos centros turísticos de Amsterdão e Roterdão; basta uma volta pelos subúrbios para ver a decadência, degradação, miséria e toxicodependência em que a maioria das prostitutas foi lançada por esta discriminação encapotada de modernismo.

Além das emigrantes ilegais outros exemplos podem ser citados que não são abrangidos pela legalização e são por esta obrigados a uma vida ainda pior. Por exemplo, as prostitutas que hoje já estão doentes: deixarão de se prostituir ou passarão a fazê-lo numa situação mais precária, escondida, mais propensa a maus tratos, violência, abuso e opressão? E a prostituição infantil e juvenil? Não acredito que alguém possa defender a sua legalização; entretanto o que importa aqui concluir é se estas crianças deixarão de se prostituir ou passarão a fazê-lo mais escondidas, submetendo-se a maior violência e maus tratos. O que daqui se retira é que a legalização beneficia apenas uma minoria e coloca a maioria numa situação ainda pior. A legalização não acaba com o abuso, torna-o legal, legítimo e agravado. A legalização não serve as prostitutas, apenas os chulos, os traficantes, a lavagem de dinheiro e o crime organizado.

Estão desmontados os falsos argumentos pró-legalização, está desvendada a mentira e a hipocrisia. O importante não é legalizar a prostituição, cobardemente esquecendo as suas causas e o mundo em que esta se insere.

Essa é a solução fácil, é a solução de quem com hipócrita misericórdia prefere tolerar a prostituta a atacar os factores que a criam, a solução de quem prefere olhar para o lado, a solução do cobarde e do mentiroso.

Importante sim é atacar as causas sociais que propiciam a prostituição, importante sim é atacar a pobreza, a fome, o analfabetismo, a toxicodependência, a violência familiar; importante sim é atacar quem beneficia da prostituição: os chulos, os proxenetas, os traficantes e o crime organizado.

Esta é a solução difícil mas a única que aceito, a solução de quem olha os problemas de frente e não se contenta com resolver o superficial, a solução de quem sem demagogias se preocupa realmente com a situação destas mulheres.

“Não somos conservadores, moralistas ou retrógrados. Não é em nome da moral que somos contra a legalização da prostituição, mas sim em nome do combate à opressão sexual, à exploração da mulher, ao crime organizado e à violência contra as mulheres. Não há modernidade em propostas que conduziriam à legalização do proxenetismo, do tráfico de mulheres e do crime organizado.

Comete-se uma ofensa, contra todas as mulheres usadas e abusadas, quando se diz que exercem a sua autonomia individual na escolha da sua vida.

Porque não existe autonomia ou escolha sem liberdade.

E não são mulheres livres as que se vendem.” (Santos, 2000)

In http://utopiasreais.blogs.sapo.pt/7928.html

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