Bispo da Igreja Católica culpabiliza mulheres estupradas


“Vamos admitir até que a mulher tenha sido violentada, que foi vítima… É muito difícil uma violência sem o consentimento da mulher, é difícil”, bispo dom Luiz Gonzaga Bergonzini

Esta igreja que acoberta padres pedófilos em nome da preservação da imagem imaculada da “santa” madre igreja, ataca o kit anti-homofobia como sendo uma arma para “aliciamento e molestamento sexual pró-sodomia”, associando a orientação sexual dos homossexuais com pedofilia. Um absurdo quando sabemos que o kit é para combater o preconceito de que são alvo os homossexuais e lésbicas. Se a PL122 já tivesse sido aprovada, esse bispo poderia ser acusado de homofobia.

Mas como se não bastasse sua pregação homofóbica, esse representante da igreja, é capaz de sandices como afirmar que as mulheres estupradas são culpadas pelo estupro que sofrem, ou melhor dizendo, afirma que são cúmplices. Esse tipo de afirmação leviana, vindo de uma autoridade eclesial tem que ser repudiado, pois faz apologia ao estupro tanto quanto a piada sem graça e tosca do humorista Rafael Bastos.

No Brasil, a cada 12 segundos, uma mulher é estuprada e menos de 10% dos casos julgados de estupro levam à condenação justamente porque a palavra da vítima é desqualificada. Embora o bispo minimize a violencia sexual de que são vítimas as mulheres, basta ler esse estudo para que se tenha uma noçao do quanto pode  ser traumático o estupro Mais uma vez, a piedosa igreja, demonstra que sua piedade e caridade não se dirige às mulheres e às crianças, pois são as mulheres as primeiras a serem sacrificadas (e na história do catolicismo, literalmente durante a inquisição) para a manutenção do dominio patriarcal que quer a apropriação dos corpos das mulheres e fica patente a hipocrisia desses representantes da “defesa” da vida, que sacrificam a dignidade das crianças aos seus interesses sempre que um padre de sua igreja se envolve em práticas condenáveis.

As religiões todas não tem outra função neste mundo a não ser a manutenção do patriarcado. Fica claro a cada vez que pastores e padres se pronunciam contra a legalização do aborto, banalizam o estupro enquanto violencia contra a mulher, a pregação homofóbica que fazem, a sua constante afirmação das diferenças de gênero, da heteronormatividade com a desculpa da defesa da família; nada tem a ver com amor, caridade e sim com a manutenção dos privilégios que esses líderes religiosos conquistaram perante a sociedade e do poder patriarcal.

E para isso não se furtam a atacar mulheres, homossexuais, lésbicas e famílias homoafetivas pois todos aqueles que desobedecem os seus preceitos (as mulheres que tem vida sexual ativa, as que engravidam fora do casamento, os gays e lésbicas) merecem segundo esses caridosos religiosos a condenação e a execração. E mulheres estupradas para a igreja são culpadas, porque sempre tratou o corpo feminino como a matriz do pecado original e por isso mesmo, condenam a mulher que sofre a violência ao invés de condenar a violência e o agressor. Solidariedade só para padres que abusam de crianças, esses são prontamente perdoados e protegidos pela igreja. Proteção essa, paga a peso de ouro com indenizações às custas do dinheiro dos dízimos e ofertas dos fiéis.

Infelizmente, é essa mesma igreja (e igrejas evangélicas incluídas) que está fazendo do governo e do legislativo reféns da imposição de sua visão de mundo retrógrada, que desrespeita os direitos humanos das mulheres e dos homossexuais e lésbicas.

Como se não fosse pouca coisa sofrermos o estupro, temos que lidar com a violência moral que a igreja com sua pregação misógina nos impõe com seu desprezo pela mulher vítima de violência sexual.

A defesa do estado laico, é uma necessidade hoje, como nunca antes no Brasil.

Só para esclarecer:

Chocada e revoltada com o caso da policial


Policial é deixada nua e revistada à força: http://bit.ly/eLSFve

Eu me senti estuprada na minha dignidade de mulher ao ver esse vídeo.  Sem dúvida foi um ato de pura misoginia e sexismo a conduta desses policiais homens. E o silêncio cúmplice das duas policiais, mostra bem como as mulheres tem internalizada a sua inferioridade e o medo perante a autoridade patriarcal, representada pelos delegados e policiais presentes.

Impressionante que isso aconteceu em 2009 e só agora foi divulgado e o que mais me deixou indignada foi saber que nenhum desses homens sofreu qualquer punição. Nada. E talvez nem venham a sofrer uma vez que a Corregedoria considerou a violência moral e física contra a jovem policial como normal.

É uma violencia em todos os sentidos  e também sexual. Jovem e  mulher, para mim ficou evidente, que a insistencia em vê-la e revistá-la nua na presença de todos aqueles homens foi também abuso sexual. Se havia duas policiais presentes, no mínimo poderiam ser convocadas para fazer a revista e reportar o que tivesse sido achado ou não. Isso é realmente um estupro simbólico dessa moça, dentro de um ambiente masculino como é a polícia, uma atitude de desrespeito a uma mulher como a que foi feita é um caso em que homens se unem para humilhar publicamente um ser feminino, exatamente como fazem em estupros de guerra. No caso esses homens quiseram deixar claro que ali na polícia não tem lei, tem a vontade dos homens, dos machos prevalencenco contra qualquer discurso de dignidade, de direitos de outro ser humano mulher. Chocada. Revoltada.

Campanha machismo é violência!


Campanha interessante do Equador e que deveria servir de exemplo para outros países. Veja os vídeos:

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